Brasil bate recorde de US$ 15,6 bilhões com café em 2025 apesar de queda no volume

País exportou 21% menos sacas, mas arrecadação cresceu 24% devido aos preços elevados e à alta qualidade do produto

Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg

O setor cafeeiro brasileiro encerrou 2025 com um ótimo desempenho financeiro. Segundo relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país obteve uma receita cambial recorde de US$ 15,586 bilhões, um salto de 24,1% em relação ao ano anterior, mesmo com uma redução significativa no volume total embarcado.

Ao todo, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg, o que representa um declínio de 20,8% frente a 2024. Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o recuo já era esperado devido à menor disponibilidade de estoque após o recorde de 2024 e aos impactos climáticos na safra passada.

O impacto do “Tarifaço” norte-americano

Um dos pontos mais críticos do ano foi a mudança no ranking de destinos. Pela primeira vez em anos, os Estados Unidos perderam a liderança para a Alemanha. O motivo central foi a imposição de tarifas de 50% pelos EUA sobre o café brasileiro entre agosto e novembro de 2025.

“Nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55% durante a vigência do tarifaço. Como o café solúvel segue taxado, o declínio nesse segmento continua se acentuando”, revelou Ferreira.

A Alemanha assumiu o topo do ranking com 5,4 milhões de sacas (13,5% do total), seguida pelos EUA (5,3 milhões) e Itália (3,1 milhões). No caminho inverso, o Japão e a China registraram altas expressivas nas importações, com crescimento de 19,4% e 19,5%, respectivamente.

Crise portuária e custos extras

Além das questões tarifárias, a infraestrutura brasileira foi um obstáculo. A falta de estrutura para contêineres e os constantes atrasos de navios (que atingiram 55% das escalas) geraram um prejuízo de mais de R$ 61 milhões aos exportadores até novembro. O Cecafé estima que cerca de 613 mil sacas por mês deixaram de ser embarcadas no prazo devido a esses gargalos.

Café de alta qualidade garante a receita

O que salvou o balanço financeiro foi o investimento do cafeicultor em qualidade e tecnologia. Os chamados “Cafés Diferenciados” (sustentáveis ou especiais) representaram 20,3% das exportações totais, rendendo US$ 3,5 bilhões — um crescimento de 39,1% em valor na comparação anual.

“Somos a única origem no mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, destacou Márcio Ferreira, reforçando que o mercado internacional aceitou pagar mais pelo produto brasileiro devido à sua excelência.

Resumo das exportações de café (2025)

IndicadorDados 2025Comparação (2024)
Volume Total40,049 milhões de sacas- 20,8%
Receita CambialUS$ 15,586 bilhões+ 24,1%
Preço Médio (Diferenciados)US$ 432,78 / saca+ 39,1%
Principal PortoSantos (SP)78,7% de participação

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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