STF valida vaquejada como prática legal, mas impõe regras de bem-estar animal

Por maioria de votos, Plenário decidiu nesta quinta-feira (5) que a atividade é constitucional

Vaquejada se consolida como modalidade esportiva e manifestação cultural

O Supremo Tribunal Federal (STF) validou, nesta quinta-feira (5), as normas que autorizam a prática da vaquejada no Brasil. O julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5772 estabeleceu que a legitimidade da prática está condicionada ao cumprimento estrito de critérios de proteção aos animais.

A decisão encerra um longo embate jurídico iniciado em 2016, quando o próprio STF havia considerado a atividade inconstitucional por presunção de crueldade. Após a reação do Congresso Nacional, que aprovou a Emenda Constitucional 96/2017 e leis que elevam a vaquejada ao status de patrimônio cultural imaterial, a Corte agora reconhece a validade dessas normas.

Condições para a legalidade

O voto vencedor, liderado pelo relator ministro Dias Toffoli e acompanhado pela proposta do ministro Cristiano Zanin, destacou que a vaquejada só pode ocorrer se seguir um conjunto mínimo de garantias. O descumprimento dessas regras pode transformar o evento em atividade ilegal e sujeitar os responsáveis a sanções administrativas e penais previstas na legislação ambiental.

Regras obrigatórias validadas pelo STF:

  • Proteção física: uso obrigatório de protetor de cauda nos bovinos.
  • Infraestrutura: exigência de areia lavada e profunda na área de competição para amortecer quedas.
  • Assistência: garantia de água, alimentação e assistência médico-veterinária em tempo integral.
  • Descanso: respeito aos períodos de repouso dos animais.

Divergências no Plenário

Apesar da validação, a decisão não foi unânime. Os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia ficaram parcialmente vencidos. Em sua argumentação, o ministro Flávio Dino reconheceu a relevância cultural da prática mas expressou preocupações sobre a eficácia das medidas para evitar o sofrimento físico dos animais durante as competições.

Com o encerramento do julgamento, a vaquejada se consolida como modalidade esportiva e manifestação cultural, mas sob vigilância constante dos órgãos ambientais e do Ministério Público.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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