Estratégia e produtividade: o modelo dos 5 Cs contra a hesitação vacinal

Engajamento em imunização reduz absenteísmo e fortalece o cuidado com equipes na indústria

Para o setor industrial compreender os fatores que afastam os trabalhadores da vacinação tornou-se uma questão de gestão estratégica

A hesitação vacinal (definida como o atraso ou a recusa em aceitar imunizantes recomendados mesmo com a disponibilidade de serviços) foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das dez maiores ameaças à saúde global. Para o setor industrial, onde a presença física e a saúde coletiva impactam diretamente a linha de produção, compreender os fatores que afastam os trabalhadores da vacinação tornou-se uma questão de gestão estratégica.

Conforme dados publicados pelo Ministério da Saúde em outubro de 2024, o Brasil enfrenta um cenário de queda nas coberturas vacinais. Nenhuma vacina do Calendário Nacional para crianças de até 2 anos atingiu a meta de 95% de cobertura entre 2020 e 2021, com índices situados entre 80% e 90%. Entre os motivos relatados para a não vacinação estão o medo de reações adversas, desinformação e barreiras de acesso.

O modelo dos 5 Cs na comunicação empresarial

Para enfrentar esse fenômeno, a coordenadora do Núcleo de Imunização do Sesi-MG, Luciana Soares Souza, aponta que as empresas podem utilizar o “modelo dos 5 Cs” para orientar uma comunicação mais eficaz com seus colaboradores.
Este modelo identifica os pilares que influenciam a decisão de se vacinar:

  • Confiança: refere-se à segurança e eficácia das vacinas e à credibilidade das autoridades de saúde.
  • Complacência: ocorre quando a percepção de risco sobre as doenças é baixa.
  • Conveniência: envolve o acesso físico, a disponibilidade de horários e a facilidade de chegar aos postos.
  • Contexto: engloba o conjunto de crenças e as diferenças socioeconômicas e culturais dos indivíduos.
  • Comunicação: baseia-se em conhecimentos e práticas fundamentadas em fatos.

Impacto na produtividade e responsabilidade social

A adoção de estratégias de imunização dentro das indústrias é apresentada como uma ferramenta de competitividade. Luciana Soares Souza destaca que “a vacinação é uma estratégia essencial para reduzir o adoecimento e suas complicações”. No caso específico da gripe, a especialista afirma que “a imunização pode diminuir em até 60% a procura por atendimento médico durante os períodos de maior circulação da doença”.

Segundo a coordenadora, o investimento em campanhas internas reflete diretamente nos indicadores operacionais: “Mesmo quando as pessoas vacinadas ficam doentes, os quadros tendem a ser mais leves e com menor risco de complicações. Isso se traduz em menos dias de trabalho perdidos, menos presenteísmo e consequentemente maior produtividade no trabalho”.

Além do fator econômico, a participação das empresas é vista como uma forma de responsabilidade social. Ao facilitar o acesso, as organizações apoiam o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e contribuem para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 da Organização das Nações Unidas (ONU), que visa assegurar o bem-estar e a vida saudável.

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Vacinação como estratégia

Para aumentar a adesão, Luciana Souza sugere que as lideranças atuem ativamente na desmistificação de informações falsas. “Muitos adultos desconhecem a existência de um calendário vacinal específico para essa faixa etária, que inclui doses de reforço e vacinas de rotina, como dTpa, hepatite B e influenza”.

A vacinação não é apenas uma medida de saúde pública, mas uma estratégia de gestão que assegura a continuidade operacional e a integridade das equipes. Conforme destacado pela coordenadora Luciana Souza, essa participação ativa não apenas cumpre uma responsabilidade social ao apoiar o Programa Nacional de Imunizações (PNI), mas também protege a produtividade ao reduzir a busca por atendimento médico em casos de gripe, minimizando o absenteísmo e o presenteísmo no ambiente fabril.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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