O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, a uma das diretorias vagas no Banco Central (BC) desde 2025. O nome foi sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A informação foi confirmada ao Estadão por fontes próximas de Mello e Haddad. Procurados, eles não se manifestaram
A eventual indicação ao cargo pelo presidente depende de aprovação do Senado, que vai sabatinar o economista após a formalização da indicação pelo Planalto. O Comitê de Política Monetária (Copom) é formado pelo presidente e diretores do Banco Central, que votam nas decisões sobre a taxa de juros.
A indicação de um economista do círculo de confiança dos petistas ocorre em meio à manutenção da taxa de juros em 15% ao ano pelo Copom.
Mello foi um dos economistas que elaboraram o plano de governo de Lula junto à Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, nas eleições de 2022. O documento era crítico de aumentos na Selic pelo BC à época.
O economista foi anunciado à pasta por Haddad ainda na transição após a vitória sobre Bolsonaro. Ele manteve críticas aos juros quando representou o governo em eventos.
"É evidente que o nível de juros, da taxa de juros básica no Brasil, é restritivo e elevado e inibe não só a captação da caderneta de poupança como a própria concessão de crédito em diferentes modalidade, e dificulta o mercado de crédito imobiliário”, afirmou durante o evento CNN Talks, que discute o crédito para o Brasil.
O secretário é mestre em Economia Política pela PUC de São Paulo e Doutor em Ciência Econômica pela Unicamp, onde leciona e coordena o programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico.
Entre suas linhas de estudo, segundo seu currículo, estão “políticas monetárias não convencionais”. É autor de teses como “A pós-grande indústria capitalista e a questão do valor: uma abordagem marxista” e a “Os derivativos e a crise do subprime: o capitalismo em sua quarta dimensão”, respectivamente, de mestrado e doutorado.
*Estadão Conteúdo