Como tecnologias para redução de água na mineração garantem o futuro do negócio

Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) de 2025 mostram que o reuso hídrico protege o caixa da empresa e garante a produção mesmo em tempos de seca

Tecnologias para redução de água facilitam a obtenção de licenças ambientais e modernizam a gestão do negócio

Para o pequeno e médio industrial da mineração, a água nunca foi apenas um detalhe técnico, mas um componente vital do custo de operação. Em um cenário de mudanças climáticas e pressão crescente por recursos hídricos, a eficiência não é mais um “luxo” sustentável, mas uma necessidade econômica. Buscar inovações tecnológicas para reduzir o consumo de água nova é o caminho para garantir a continuidade do negócio e atrair investimentos.

O peso da água na operação

A mineração brasileira responde por uma parcela estratégica da retirada de água no país. Embora o volume global seja inferior ao da irrigação, a dependência é absoluta: a água é insumo vital desde o desmonte hidráulico até a flotação e o transporte de minérios. Para operações menores, o custo de captar, tratar e descartar efluentes pode ser o divisor entre o lucro e o prejuízo.

De acordo com o documento “Desenvolvimento sustentável na indústria mineral brasileira”, parte do “Plano nacional de mineração 2022-2050", o setor enfrenta o desafio de consolidar bases sustentáveis. A adoção de boas práticas de gestão hídrica, como a recirculação, é uma das formas mais eficazes de obter a chamada “licença social para operar” e facilitar processos de licenciamento, respeitando a dinâmica hidrológica local.

Tecnologias que transformam o negócio

Inovar não significa necessariamente investir milhões em sistemas complexos. O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) apresentou algumas iniciativas em publicação de 2025. O “Livro azul: boas práticas em gestão e manejo dos recursos hídricos pela mineração”, traz estratégias possíveis de transformação do uso dos recursos hídricos na direção da sustentabilidade:

  • Circuitos fechados de recirculação: No beneficiamento de minérios, é possível recircular a água dentro do próprio processo, reduzindo a necessidade de novas captações.
  • Espessadores e filtragem: O uso de espessadores de rejeitos permite recuperar grandes volumes de água para reutilização imediata. A RHI Magnesita, em dados publicados no Livro azul (2025), demonstrou que a necessidade de complementação de água cai de 233,20 m³/h para apenas 19,15 m³/h com essa tecnologia, alcançando um reaproveitamento de 91,79%.
  • Disposição a seco (dry stacking) e decanter: Além de eliminar a necessidade de barragens de rejeitos, essas técnicas permitem que a água presente na lama seja recuperada. A Mineração Usiminas atingiu a marca de 93,65% de reuso em 2024 utilizando soluções integradas de desaguamento.
  • Sistemas inteligentes de gestão: Ferramentas digitais para monitoramento em tempo real permitem identificar vazamentos e otimizar o balanço hídrico, transformando dados brutos em decisões estratégicas.
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O exemplo que vem de perto

O estudo do IBRAM (2025) destaca ainda que estratégias proativas criam vantagem competitiva. A integração de profissionais com cultura de transformação digital e o uso de ferramentas de análise avançada permitem uma visão holística das operações. Instituições como a Universidade Federal de Viçosa (UFV) também colaboram com pesquisas que reforçam como a conservação hídrica pode ser integrada à rotina produtiva.

Para o pequeno minerador, o recado é claro: a tecnologia para eficiência hídrica protege o caixa contra crises de escassez e coloca a operação em conformidade com as exigências de crédito atuais, onde critérios ambientais são decisivos.

A gestão hídrica eficiente envolve o balanço entre entradas e saídas. Tecnologias de monitoramento e reuso permitem que a mesma gota de água circule várias vezes pelo processo industrial, reduzindo o impacto ambiental e garantindo a segurança hídrica da operação.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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