Prevenção no punho: como a ergonomia protege as mãos que movem a indústria

O formigamento noturno e a perda de força podem sinalizar o avanço da síndrome do túnel do carpo, um dos principais desafios para a saúde do trabalhador em linhas de produção

A síndrome do túnel do carpo (STC) é uma neuropatia de compressão que reduz a função da musculatura da mão

Na engrenagem da indústria moderna, onde o ritmo é ditado pela precisão do cronômetro, a cadência da linha de montagem precisa se adequar aos limites biomecânicos do corpo, ou o preço a ser pago pode ser a saúde do trabalhador.

A ergonomia neste contexto não é apenas uma exigência legal, mas o pilar central na prevenção de neuropatias, sendo a ferramenta mais eficaz para deter o avanço da Síndrome do Túnel do Carpo (STC) no chão de fábrica.

Um estudo da Faculdade de Medicina de Campos (FMC) publicado na Revista Científica da instituição em 2021, aponta que a STC é um transtorno que gera altos índices de incapacidade. A prevenção passa obrigatoriamente pela compreensão de que o punho humano não foi projetado para sustentar pressões contínuas sob ângulos forçados.

O papel da ergonomia na “quebra” do ciclo de lesão

A ergonomia atua em duas frentes: na física, modificando o posto de trabalho, e na organizacional, ajustando o ritmo e a distribuição das tarefas. Fernanda Gabriela de Souza Pinto, especialista em ergonomia do Sesi MG, reforça que o olhar ergonômico deve ser sistêmico.

“A compressão do nervo mediano em ambientes industriais decorre, predominantemente, da combinação de falhas no desenho do posto, como posturas não neutras, exigência excessiva de força e contato mecânico direto, associadas à organização do trabalho e ao ritmo elevado de produção”, explica a especialista.

Sem a intervenção ergonômica (prevista nas normas NR 01 e NR 17), o trabalhador é submetido a um estresse mecânico que reduz o espaço interno do túnel do carpo, inflamando os tendões e esmagando o nervo mediano.

Estratégias de mitigação: da ferramenta ao rodízio

Para a especialista do Sesi MG, a ergonomia aplicada se materializa na escolha de equipamentos que respeitem a anatomia humana. A substituição de ferramentas rudimentares por dispositivos inteligentes é capaz de reduzir drasticamente a carga biomecânica.

“A redução da carga biomecânica sobre os punhos em ambientes industriais é mais eficaz quando se utilizam ferramentas e dispositivos que favorecem a postura neutra do punho, reduzem a força de preensão e minimizam repetitividade e vibração. Destacam-se as empunhaduras anatômicas e anguladas e os mecanismos de alívio de esforço”, detalha Fernanda Gabriela.

Além disso, a ergonomia organizacional propõe o rodízio de funções. Essa estratégia evita que o mesmo grupo muscular e a mesma estrutura nervosa sejam sobrecarregados ininterruptamente, permitindo períodos de recuperação tecidual durante a própria jornada de trabalho.

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Diagnóstico ergonômico: precisão contra a vibração

Um dos maiores méritos da ergonomia é a capacidade técnica de diferenciar riscos. Em postos onde se utilizam ferramentas pneumáticas, por exemplo, o risco não é apenas o movimento, mas a vibração. Fernanda Gabriela pontua que um diagnóstico ergonômico robusto é o que permite à indústria agir na causa raiz.

“Enquanto a vibração tende a gerar alterações sensitivo-vasculares difusas e cumulativas, os movimentos repetitivos produzem quadros musculotendíneos localizados e diretamente associados ao gesto laboral”, diferencia.

Ao final, a mensagem da medicina e da engenharia do trabalho é uníssona: a prevenção via ergonomia é menos custosa e mais humana do que qualquer tratamento cirúrgico. Investir em postos de trabalho inteligentes é garantir que a força que move a indústria não seja a mesma que imobiliza as mãos de quem produz.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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