Ciência e ergonomia: como a tecnologia pode redesenhar o trabalho na indústria

Sensores inerciais e análise cinemática transformam os diagnósticos ergonômicos; dados precisos podem contribuir para evitar lesões e garantir o bem-estar no chão de fábrica

A eletromiografia (EMG) é uma das tecnologias inovadoras no setor da ergonomia

A ergonomia moderna está deixando de lado as pranchetas e observações puramente visuais para abraçar uma revolução baseada em dados. Em ambientes industriais, onde a automação total ainda é um caminho a ser percorrido, dispositivos tecnológicos como as Inertial Measurement Units (IMUs) e sensores vestíveis surgem como os novos aliados da saúde ocupacional.

Essas ferramentas permitem um mergulho profundo na análise cinemática, traduzindo o movimento humano em números que ajudam a redesenhar tarefas e evitar o adoecimento de quem mantém a produção ativa.

O raio-X do esforço humano

O uso de dispositivos tecnológicos para avaliações ergonômicas tem crescido exponencialmente, impulsionado pela Internet das Coisas (IoT). É o que aponta o estudo sobre “Dispositivos tecnológicos para avaliações ergonômicas”, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e publicado pela revista Studies in Engineering and Exact Sciences. A pesquisa mostra que o ambiente industrial é o principal foco dessas investigações, representando uma fatia significativa dos estudos que buscam mitigar riscos biomecânicos.

Entre as tecnologias de destaque, as unidades de medição inercial (IMUs) lideram as aplicações. Ao serem posicionadas no corpo do trabalhador, elas capturam ângulos articulares e posturas em tempo real, permitindo a implementação de métodos de avaliação como o RULA (Rapid Upper Limb Assessment) de forma automatizada e contínua.

A precisão contra o risco invisível

Para Athielly Dias Araújo Rabelo, fisioterapeuta e analista de ergonomia do Sesi, a grande vantagem dessas ferramentas é a capacidade de oferecer um diagnóstico quantitativo onde o olho humano pode falhar. Em entrevista à Itatiaia, ela destaca que essas tecnologias são fundamentais em postos que ainda dependem do esforço manual.

“Ferramentas de análise postural e biomecânica permitem identificar riscos associados a posturas forçadas, movimentos repetitivos e compressões nervosas”, explica a especialista. “Essas análises permitem intervenções direcionadas para subsidiar o redesenho das tarefas, promovendo ganhos ergonômicos e reduzindo a exposição ao risco sem comprometer a produtividade”, afirma Athielly.

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Aplicações práticas e o futuro da saúde

Além das IMUs, o estudo produzido pela UFSC aponta o uso de outras tecnologias inovadoras no setor:

  • Kinects: utilizados para monitoramento biomecânico não invasivo e reabilitação;
  • Luvas e palmilhas inteligentes: sensores que mapeiam a pressão da pegada e pressões plantares em atividades de construção e logística;
  • Eletromiografia (EMG): sensores que medem a tensão muscular e o esforço físico real;
  • Inteligência Artificial: algoritmos de Machine Learning que otimizam as avaliações de forma automática e ininterrupta.

O futuro aponta para uma integração cada vez maior entre esses sistemas. A combinação de sensores vestíveis com o aprendizado de máquina promete não apenas identificar riscos, mas orientar o trabalhador em tempo real sobre a melhor forma de executar sua função, transformando a prevenção em uma prática viva e conectada.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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