De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria chega a 2026 sustentada por transformações que deixaram de ser projeções e passaram a integrar a operação cotidiana das empresas. Os avanços observados ao longo de 2025, especialmente em inteligência artificial, digitalização e sustentabilidade, consolidaram mudanças estruturais no setor produtivo e ampliaram as exigências sobre profissionais e organizações.
Para a CNI, compreender o cenário a partir de 2026 passa por identificar quais tendências se firmaram, quais desafios permanecem e quais competências se tornaram centrais para a competitividade industrial.
Quais tendências ganham força na indústria
Segundo a CNI, a inteligência artificial ultrapassou a fase experimental e passou a assumir um papel relevante no gerenciamento de automações avançadas e no apoio a processos decisórios em tempo real. A entidade avalia que o uso de sistemas baseados em dados tende a se intensificar em áreas como controle de processos, manutenção preditiva e otimização da produção.
A Confederação também aponta que a Indústria 4.0 avança para um estágio de digitalização plena. A conectividade total no chão de fábrica passa a ser tratada como padrão, com uso contínuo de dados para prever falhas, reduzir perdas e aumentar a eficiência operacional.
Outro ponto destacado pela CNI é a incorporação definitiva da sustentabilidade às estratégias empresariais. De acordo com a entidade, práticas relacionadas a ESG deixam de ser diferenciais competitivos e passam a integrar o núcleo dos negócios industriais, com eficiência energética e compromisso ambiental se tornando requisitos de mercado.
Na avaliação da Confederação, a relação entre pessoas e tecnologia também passa por uma mudança. O foco deixa de ser a substituição de trabalhadores e passa a ser a integração entre competências humanas e sistemas automatizados, combinando precisão tecnológica com habilidades socioemocionais.
Quais são os principais desafios do setor
Entre os principais gargalos do setor, a CNI destaca a falta de mão de obra qualificada. A entidade avalia que cresce a dificuldade das empresas em encontrar profissionais com domínio efetivo das novas tecnologias industriais.
Outro desafio identificado é a necessidade de requalificação contínua. Para a Confederação, o ritmo acelerado das transformações tecnológicas exige que trabalhadores em atividade atualizem conhecimentos e aprendam novas funções de forma permanente para se manterem relevantes no mercado.
A CNI também observa uma mudança no perfil profissional demandado pela indústria. Segundo a entidade, as empresas buscam profissionais que aliem conhecimento técnico ao desenvolvimento de competências como adaptabilidade, resolução de problemas e capacidade de atuação em ambientes complexos.
Quais habilidades o mercado industrial passa a exigir
Na avaliação da CNI, a Indústria 4.0 exige uma mudança de mentalidade. O setor demanda profissionais capazes de ir além da execução de tarefas, contribuindo com análise, integração de conhecimentos e tomada de decisão.
Entre os pilares de capacitação destacados pela Confederação está a capacidade de adaptação, considerada essencial diante da velocidade das mudanças tecnológicas. O trabalho em equipes multidisciplinares também ganha relevância, exigindo diálogo entre áreas como engenharia, tecnologia da informação e sustentabilidade.
Outro ponto enfatizado é o hibridismo técnico, que combina conhecimentos tradicionais do chão de fábrica, como mecânica e eletrônica, com competências ligadas à digitalização, automação e análise de dados.
A educação profissional aparece como um diferencial estratégico. De acordo com a CNI, indicadores mostram que alunos desse tipo de formação apresentam maior empregabilidade e salários mais competitivos logo após a conclusão dos cursos. Nesse contexto, a entidade aponta os cursos do SENAI como um dos caminhos mais diretos para alinhar teoria e prática às demandas do mercado.
Por fim, a Confederação reforça a importância do aprendizado contínuo ao longo da vida profissional. A participação em projetos, desafios e competições técnicas é vista como uma forma de desenvolver visão sistêmica e resiliência. Somado ao investimento em soft skills, como inteligência emocional e liderança, esse conjunto de competências é apontado como determinante para a atuação em ambientes industriais cada vez mais tecnológicos.