Agro em Minas dispara e atrai fusão bilionária para reduzir importação de fertilizantes

Negócio entre empresas paulista e mineira projeta crescimento de 40% no faturamento e visa reduzir a dependência brasileira de insumos importados

Em 2025, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes

Minas Gerais se consolidou como um polo estratégico para a indústria voltada ao campo. No terceiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro alcançou R$ 290,1 bilhões, impulsionado por um grande desempenho do setor agropecuário, que cresceu 11,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Fundação João Pinheiro (FJP).

O cenário atraiu a empresa paulista Massari Fértil, que anunciou recentemente sua fusão com a Morro Verde, tradicional produtora de fosfatados em Pratápolis, no Sul de Minas. A operação expande a presença da empresa de Salto de Pirapora (SP) em território mineiro e projeta um salto de 40% no faturamento e na produção da unidade.

Tecnologia e independência química

O foco da fusão é transformar a mineradora de Pratápolis em um centro tecnológico para a produção de fertilizantes minerais mistos. “Nosso objetivo é trazer tecnologia pioneira para a unidade de Minas Gerais e, assim, reduzir a dependência de insumos importados no campo”, destacou o diretor de operações da Massari, Marcos Gaio.

A escolha de Pratápolis é tática: a localização permite o atendimento ágil a quatro dos principais cultivos do estado: soja, milho, café e cana-de-açúcar.

A chegada a Minas Gerais é parte de um plano de expansão iniciado em 2022, que prevê novos projetos no Mato Grosso e em Goiás para 2026.

Investimento de R$ 24 milhões e salto produtivo

Antes mesmo da fusão, a Morro Verde finalizou um ciclo de modernização de R$ 24 milhões. O aporte foi destinado à atualização do parque industrial com novos moinhos e britadores. Como resultado, a capacidade produtiva da planta saltou de 500 mil toneladas para 1,5 milhão de toneladas anuais.

Com a nova estrutura, as empresas planejam lançar um fertilizante “semi-brasileiro”, unindo o fósforo importado do Peru ao fosfato natural reativo extraído diretamente da mina em Minas Gerais. A iniciativa é uma resposta direta ao cenário nacional: em 2025, o Brasil bateu recorde histórico de importação de fertilizantes, atingindo 45,5 milhões de toneladas, segundo a Conab. Um dos países responsáveis é o Irã, um grande produtor de ureia, fertilizante nitrogenado essencial para culturas como milho e trigo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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