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A maior preocupação no momento não é a queda na demanda, mas o impacto logístico. O Oriente Médio é um mercado responsável por 25% de todas as exportações brasileiras de proteína animal — o que equivale a uma fatia considerável dos 200 mil contêineres embarcados anualmente pelo país.
O foco das atenções recai sobre o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, vias cruciais para o comércio global. Uma eventual interrupção ou bloqueio nessas passagens pode desencadear um efeito cascata que inclui:
- Aumento nos valores dos fretes marítimos;
- Elevação dos prêmios de seguros de carga;
- Maior demora na entrega dos produtos finais.
Apesar do alerta, a ABPA ressalta que, especificamente para a carne de frango, não há volumes significativos de embarques diretos para o Irã, o que confere certa resiliência ao segmento frente às sanções internacionais contra o país.
Fertilizantes
Para o produtor brasileiro que está na base da cadeia, o risco imediato é o encarecimento da produção. O Irã é um grande produtor de ureia, fertilizante nitrogenado essencial para as safras de milho e trigo.
Como a produção de nitrogenados é altamente dependente do gás natural — cujo preço flutua conforme a valorização do petróleo —, o setor prevê uma pressão nas margens de lucro. Mesmo que o Brasil não compre diretamente do Irã em grandes volumes, a redução da oferta global eleva os preços internacionais, encarecendo o insumo que chega ao campo brasileiro.
Radiografia do comércio bilateral: Brasil e Irã
O Irã é um parceiro comercial estratégico para o Brasil, ocupando a 31ª posição no ranking global de parceiros. No ano passado, as
- Exportações brasileiras: o milho é o protagonista, representando 67,9% das vendas (US$ 1,9 bilhão), seguido pela soja (19,3%). Açúcares e farelo de soja também compõem a pauta.
- Importações: embora mais modestas (US$ 84 milhões em 2025), são altamente concentradas: 79% do que o Brasil compra do Irã são fertilizantes e adubos.
No curto prazo, o impacto nas exportações de grãos é limitado pelo calendário das safras, mas uma escalada duradoura exigirá que o Brasil reacomode sua estratégia de comércio exterior para evitar perdas em um de seus principais mercados no Oriente Médio.