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Diferente da previsão do presidente norte-americano,
“Os próximos dias serão essenciais para a gente poder entender até que ponto isso vai impactar diretamente o Brasil e o mundo. Já temos impactos nisso. O Brasil exporta muito milho e muitos grãos para o Irã. O Irã, por sua vez, exporta elementos de fertilizantes e petróleo para nós. Há uma relação importante que não fica restrita apenas ao território iraniano”, explicou Zaredine.
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Risco energético e a ‘segunda crise do petróleo’
Uma das maiores preocupações globais reside na logística marítima. O Estreito de Ormuz, ponto de passagem vital para a economia mundial, corre o risco de ser bloqueado caso as hostilidades avancem.
“Não conseguimos ver claramente os impactos no petróleo ainda, porque se o Estreito de Ormuz de fato continuar fechado, estamos falando de uma via por onde passa de 20% a 30% de todo o petróleo distribuído pelo mundo. Viveríamos quase uma segunda crise do petróleo, o que é muito grave”, alertou o professor.
Impacto direto nos custos de produção: ureia e milho
Para o produtor rural brasileiro, o risco imediato não é o desabastecimento, mas o encarecimento da produção. O Irã é um grande produtor de ureia, fertilizante nitrogenado essencial para culturas como milho e trigo. Como a fabricação desse insumo depende do gás natural — que acompanha a valorização do petróleo —, o custo de importação tende a subir.
Mesmo com sanções internacionais, qualquer redução na oferta global eleva os preços internacionais, pressionando as margens da próxima safra brasileira.
Radiografia do comércio bilateral: Brasil e Irã
O Irã é um parceiro comercial estratégico para o Brasil, ocupando a 31ª posição no ranking global de parceiros. No ano passado, as
- Exportações brasileiras: o milho é o protagonista, representando 67,9% das vendas (US$ 1,9 bilhão), seguido pela soja (19,3%). Açúcares e farelo de soja também compõem a pauta.
- Importações: embora mais modestas (US$ 84 milhões em 2025), são altamente concentradas: 79% do que o Brasil compra do Irã são fertilizantes e adubos.
No curto prazo, o impacto nas exportações de grãos é limitado pelo calendário das safras, mas uma escalada duradoura exigirá que o Brasil reacomode sua estratégia de comércio exterior para evitar perdas em um de seus principais mercados no Oriente Médio.