O Norte de Minas Gerais deu um passo histórico para se consolidar como a nova fronteira do cacau no Brasil. Pesquisadores da Fazenda Experimental da Unimontes, em Janaúba, fabricaram o primeiro chocolate feito exclusivamente com amêndoas cultivadas na região. O experimento utiliza o mesmo genótipo de planta que já está no campo, sob os cuidados de produtores assistidos pelo Programa Agro+Verde Cacau.
Para a professora e pesquisadora Maristella Martinelli, doutora em Ciências de Alimentos, o protótipo é a coroação de mais de uma década de estudos. “O objetivo final sempre foi produzir o chocolate, o principal produto da amêndoa. Agora, estamos estruturando o laboratório com equipamentos específicos para realizar avaliações de qualidade e testes sensoriais”, explicou.
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Potencial produtivo e adaptação
O teste inicial confirmou que as plantas possuem excelente adaptação ao clima da região e alta produtividade. Os próximos passos incluem testes com o cacau colhido por agricultores de Janaúba e Jaíba, além do desenvolvimento de novas formulações de receitas para o mercado consumidor.
A iniciativa ganhou força com o Projeto Agro+Verde, uma parceria estratégica entre o Sistema Faemg Senar e a empresa Cargill. O programa oferece suporte técnico e incentivo financeiro para que os produtores migrem ou diversifiquem sua produção para o cacau.
Planejamento
O planejamento para o Norte de Minas visa evitar a dependência de uma única cultura, como ocorreu no passado com a banana:
- Expansão: a meta é atingir 15 mil hectares de cacau plantados.
- Produtividade: expectativa de duas toneladas de amêndoas por hectare ao ano.
- Modelo de plantio: nos primeiros dois anos, o cacau é plantado em
consórcio com a banana, aproveitando a sombra e a estrutura já existente até a transição total da área. - Fomento: o produtor recebe até R$ 9.500 em mudas por hectare e se compromete a devolver R$ 7.000 em amêndoas em um prazo de até cinco anos.
Segurança contra pragas
A introdução do cacau também surge como uma resposta estratégica a crises fitossanitárias. Ao diversificar a fruticultura, a região cria uma “barreira de proteção” econômica contra problemas como o Mal do Panamá, fungo que anteriormente dizimou vastos bananais na região. Com mudas selecionadas vindas de viveiros certificados da Bahia, o Norte mineiro desenha agora um futuro que une sustentabilidade, tecnologia e alto valor agregado.
*Com informações de Ricardo Guimarães, da Faemg Montes Claros