Embrapa lança quatro novas cultivares de feijão com foco em produtividade

Variedades carioca e preto prometem mais produtividade, estabilidade e qualidade comercial, com foco em diferentes regiões e perfis de risco

Duas cultivares de feijão carioca e duas de feijão preto

A Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás (GO), apresentou um novo conjunto de cultivares de feijão. As culturas possuem como característica o aumento da produtividade, a redução de riscos agronômicos e o melhoramento da qualidade comercial do grão. As novidades incluem duas cultivares de feijão carioca (BRS ELO FC424 e BRS ELO FC429) e duas de feijão preto (BRS FP426 e BRS FP327), divulgadas como lançamentos no início de 2026.

O pacote busca encaixes diferentes por região, janela de cultivo e perfil de risco. Entre os lançamentos de feijão carioca, a BRS ELO FC424 é apresentada como uma cultivar de elevado potencial produtivo, com foco inicial na Região Sul e possibilidade de expansão para o Centro-Oeste e o Nordeste. O destaque é o desempenho produtivo, aspecto sensível em sistemas que precisam diluir custos crescentes de insumos e operações.

Já a BRS ELO FC429 mira uma demanda de maior valor agregado no feijão carioca: o escurecimento lento dos grãos. Na prática, isso tende a ampliar a flexibilidade de venda do agricultor, com mais tempo para escolher o melhor momento de comercialização, e a aumentar o tempo de prateleira para a indústria, com potencial de reduzir perdas e pressão logística. A expectativa é de que o grão mantenha por mais tempo o padrão comercial, o que pode influenciar preço e aceitação no varejo.

No feijão preto, o diferencial é a combinação entre estabilidade em áreas de maior risco e retorno mais rápido, com ciclo precoce. Nesse grupo, a BRS FP426 é descrita como uma cultivar voltada à segurança agronômica e à estabilidade produtiva, especialmente para áreas de risco sanitário, como solos com histórico de doenças e ambientes irrigados por pivô central. Em regiões onde a pressão de doenças e o risco de perdas são maiores, o objetivo é reduzir a chance de frustração de safra e trazer previsibilidade à colheita, fator que pesa tanto na decisão do produtor quanto no planejamento de compra e processamento.

A BRS FP327, por sua vez, é apresentada como uma cultivar de ciclo precoce e alta produtividade, voltada a produtores que buscam retorno rápido e eficiência de manejo. Em termos de sistema produtivo, a precocidade pode significar melhor encaixe em janelas mais curtas, resposta mais ágil ao mercado e, em alguns casos, menor exposição a períodos críticos de clima e a picos de pressão de pragas e doenças, embora o desempenho final dependa do ambiente e do manejo.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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