Macron protesta contra aceleração do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul

Presidente da França, maior opositora ao acordo entre os blocos, se disse ‘surpreso’ com a aplicação provisória do tratado

Cabe lembrar que a França é a maior produtora agrícola da Europa

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta sexta-feira (27) que é uma “surpresa desrespeitosa” a Comissão Europeia aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. O governo francês é o principal opositor do tratado dentro do bloco e já tentou bloquear a tramitação no Parlamento.

O Palácio do Eliseu afirma que o tratado pode aumentar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos do que os praticados no mercado local, prejudicando os produtores franceses. Cabe lembrar que a França é a maior produtora agrícola da Europa.

“Para a França, é uma surpresa, uma surpresa ruim. Para o Parlamento Europeu, é desrespeitoso”, disse o presidente Emmanuel Macron em entrevista coletiva após reunião com o primeiro-ministro da Eslovênia, Robert Golob.

Nesta sexta-feira (26), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou a aplicação provisória do acordo como uma medida de “vantagem competitiva”, mas ressaltou que o tratado só passará a valer em definitivo quando for aprovado pelos eurodeputados.

O acordo, assinado no dia 17 de janeiro, precisa ser incorporado na legislação de cada país e bloco. No entanto, os eurodeputados aprovaram uma moção que envia o tratado para revisão do Tribunal de Justiça da UE, o que paralisa o pacto por vários meses. Parte da Europa manifesta insatisfação com o negócio, principalmente a agropecuária, que teme uma “invasão” de commodities a preços mais baixos.

Segundo a AFP, o Tribunal da UE vai analisar a compatibilidade do texto com os termos europeus e bases jurídicas do acordo. Se verificar incompatibilidade com a legislação vigente, será necessária alterações no acordo. Segundo apurou a Itatiaia, os parlamentares sul americanos decidiram acelerar o texto para pressionar seus homônimos europeus.

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O Uruguai foi o primeiro país a aprovar o texto, nessa quinta-feira (27), na Câmara dos Deputados e no Senado. Horas depois, a Argentina também ratificou o tratado. No Paraguai, acordo com os europeus também foi acelerado, enquanto no Brasil as medidas foram aprovadas na Câmara e agora devem ser votadas no senado.

O acordo prevê tarifas reduzidas ou zeradas para uma série de setores industriais e agrícolas, de acordo com as especificidades de cada mercado. Na parte do Mercosul, a oferta é de uma ampla liberalização tarifária de uma cesta de produtos. Cerca de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra de países do bloco da América do Sul podem ter as tarifas zeradas.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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