Antonio Bortoletto | Varejo em 2026: o bolso vai precisar acompanhar a boca

Setor entrou em uma fase em que não basta entender tendências, é preciso executá-las com rapidez, consistência e foco absoluto em geração de valor

NRF 2026 foi realizada em Nova York, nos Estados Unidos

A NRF 2026, maior evento global do varejo, não deixou espaço para interpretações confortáveis. O recado foi direto: o tempo do discurso acabou. O varejo entrou em uma fase em que não basta entender tendências, é preciso executá-las com rapidez, consistência e foco absoluto em geração de valor.

Durante anos, o setor se acostumou a debater inovação como algo distante, quase conceitual. Em 2026, isso mudou. A tecnologia já não é mais um diferencial competitivo. Ela se tornou infraestrutura básica. Quem não souber operar dados, integrar sistemas e usar inteligência artificial de forma prática simplesmente ficará para trás.

Os números refletem essa transição. Estudos apontam que o investimento global em IA no varejo deve crescer a uma taxa anual de quase 32% entre 2025 e 2029, impulsionado por aplicações cada vez mais maduras e orientadas para resultados concretos. A conversa na NRF deixou de ser sobre o que poderia acontecer e passou a ser sobre o que já está acontecendo hoje.

A inteligência artificial, aliás, apareceu na NRF não como promessa futurista, mas como protagonista do presente. O conceito de agentic commerce deixa isso evidente. Estamos falando de sistemas capazes de interpretar necessidades, tomar decisões e executar compras. O varejo, portanto, passa a competir não apenas pela atenção do consumidor, mas também pela lógica das máquinas. E aqui está um ponto crítico: empresas desorganizadas, com dados ruins e processos confusos, não serão escolhidas nem por pessoas, nem por algoritmos.

Outro ponto que merece atenção é o fim definitivo da discussão sobre omnicanalidade. Isso já não é mais estratégia. É obrigação. O consumidor não diferencia loja física, aplicativo ou site. Ele só percebe se a experiência funciona ou não. Prometer no digital e falhar no físico é um atalho rápido para a perda de confiança e de relevância.

Mas talvez o aspecto mais importante da NRF 2026 seja um alerta que muitos insistem em ignorar. Tecnologia sozinha não salva negócios. Ela amplia o que a empresa já é. Marcas sem propósito, sem clareza de posicionamento e sem conexão humana apenas escalam sua própria irrelevância quando automatizam processos sem estratégia.

Para o varejo brasileiro, especialmente para redes e franquias, o desafio de 2026 é duro, mas extremamente claro. Será preciso investir em dados de qualidade, em integração real de sistemas e, principalmente, em liderança capaz de transformar tecnologia em experiência. Não é mais sobre quem conhece as tendências. É sobre quem tem coragem de executar, ajustar rápido e colocar o cliente no centro de todas as decisões.

O varejo de 2026 não vai premiar quem fala bem sobre inovação, mas quem executa melhor. O jogo agora é de disciplina, clareza estratégica e capacidade de transformar tecnologia em resultado concreto. Quem entender isso a tempo seguirá relevante. Quem não entender, será apenas mais um caso de estudo sobre o que não fazer.

Leia também

Antonio Bortoletto, especialista em Permuta Multilateral e Franchising, sócio do Clube de Permuta e Diretor Regional da Associação Brasileira de Franchising. Com mais de 20 anos de experiência no setor de vendas e comunicação, Bortoletto compartilhará os benefícios, história e tendências do franchising e da Permuta multilateral.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

Ouvindo...