Mais de duas mil profissões estão entre aquelas em que trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por transtornos mentais no Brasil. Tão digno de reflexão como o número em si é o fato de que no topo da lista aparecem ocupações como vendedor do comércio varejista, faxineiro e auxiliar de escritório, ou seja, trabalhadores que atendem ao público, mantêm serviços essenciais e sustentam boa parte da rotina urbana.
Não se trata apenas de questão social, há, também, o prejuízo na economia: em 2025, mais de 500 mil pessoas precisaram se afastar do trabalho por saúde mental. E, acredite: é a segunda vez consecutiva que o país alcança esse recorde, após já ter tido a maior marca da década em 2024.
As pessoas que estão sofrendo a pressão maior lidam com o público, sofrem com a intolerância e a irritação coletiva; parece que, após a pandemia, quando deveríamos ficar mais compreensivos, humildes e cientes do quanto somos pequenos, pioramos, queremos briga, não temos paciência, sobretudo quando tratamos com alguém que não é importante, no conceito da sociedade.
Quero citar duas experiências - uma minha, outra do goleiro Cássio - para ilustrar o quanto precisamos rever conceitos e definir o que realmente é importante. Aos dois minutos do segundo tempo, no jogo de domingo à noite em Betim, o goleiro Cássio falou algo no ouvido do juiz e saiu correndo de campo. Com todos os holofotes e as câmaras de TV em cima, não dava para despistar. “O que está acontecendo?”
Instantes de muita tensão, um repórter anunciou que o médico do Cruzeiro tinha ido ao vestiário atrás do Cássio. Mais um minuto e veio a constatação óbvia: chegou a hora de fazer o 2 e, se ele não corre, poderia sujar o uniforme com substância diferente do barro que o gramado ostentava, por causa da chuva.
Recentemente vivi algo semelhante: com as complicações próprias da idade, tive três episódios de retenção de urina. Nunca vi nada doer tanto assim... a bexiga pressiona as vísceras, parece que o abdome vai explodir... Hoje, não tenho dúvidas: fazer xixi é melhor que fazer amor. E o goleiro do cabuloso está convencido de que quando o cocô está pronto, não há defesa capaz de evitar a corrida.
Dinheiro é bom, poder faz bem, desde que tudo esteja sob o nosso controle e que a nossa saúde mental nos guie pelos caminhos da sabedoria, dando a devida importância ao que, de fato, é mais importante. E, às vezes, urgente!