Ovos disparam 36% em fevereiro e devolvem fôlego aos avicultores após meses de perdas

Movimento atual interrompeu uma sequência negativa que já durava cinco meses para o milho e sete meses para o derivado da soja, segundo o Cepea

Baixa oferta aliada à demanda sazonal impulsionou as cotações

O cenário para os avicultores de postura — dedicados exclusivamente à produção de ovos — em São Paulo apresentou uma virada significativa nesta parcial de fevereiro (até o dia 25). Após um longo período de retração nas margens, a disparada nos preços dos ovos permitiu que o poder de compra do produtor frente aos principais insumos da atividade — milho e farelo de soja — voltasse a reagir com fôlego.

De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento atual interrompeu uma sequência negativa que já durava cinco meses para o milho e sete meses para o derivado da soja.

Salto nos preços em Bastos (SP)

O polo avícola de Bastos, principal referência do estado, registrou valorizações expressivas que superam os 36% em apenas um mês. A baixa oferta aliada à demanda sazonal impulsionou as cotações:

  • Ovos brancos (tipo extra): média de R$ 147,98 por caixa de 30 dúzias, um avanço de 36,7% em relação a janeiro.
  • Ovos vermelhos: média de R$ 166,57 por caixa, alta de 37% no comparativo mensal.

Melhora na relação de troca

Com a valorização do produto final superando a variação dos custos, a capacidade de aquisição de ração melhorou drasticamente para o avicultor paulista. Considerando o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, a relação de troca ficou estabelecida da seguinte forma:

1. Frente ao milho (Cereal)

Com a venda de uma caixa de ovos, o produtor pôde adquirir:

  • Ovos brancos: 131,22 kg de milho (+36,7% vs. janeiro).
  • Ovos vermelhos: 147,77 kg de milho (+37,1% vs. janeiro).

2. Frente ao farelo de soja (Campinas/SP)

A reação foi ainda mais intensa no mercado de lotes:

  • Ovos brancos: 80,27 kg de farelo (+41,3% vs. janeiro).
  • Ovos Vermelhos: 90,40 kg de farelo (+41,7% vs. janeiro).

Análise do cenário

O alívio financeiro aos produtores é visto como crucial para a sustentabilidade das granjas, que vinham operando sob pressão de custos elevados e preços deprimidos nos últimos semestres. A recuperação do poder de compra sinaliza uma janela de recomposição de caixa para o setor, embora o mercado permaneça atento à volatilidade das commodities agrícolas no mercado internacional.

‘Efeito Quaresma’

O otimismo dos produtores está ligado no calendário religioso. Com o início da Quaresma no último dia 18, a expectativa é de um aumento gradual e constante na procura pelo alimento.

“Neste período de 40 dias, o ovo ganha protagonismo como a principal alternativa às carnes para os consumidores que seguem a tradição. Essa migração de consumo é o combustível necessário para manter os valores em patamares elevados”, apontam os pesquisadores do Cepea.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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