A produção de leite em Mato Grosso registrou uma retração de 41% na última década. No entanto, uma pesquisa da Embrapa Agrossilvipastoril, na cidade de Sinop, apontou o caminho para a recuperação do setor. Com genética adaptada e manejo intensivo, o experimento alcançou uma média de 14 litros/dia por animal, quase o triplo da média estadual.
O estudo, que se estende até 2027, foca no desempenho de vacas Girolando 5/8 (racça 62,5% Holandesa e 37,5% Gir). A escolha da linhagem busca o “equilíbrio de ouro": a alta produtividade do Holandês com a rusticidade e tolerância ao calor do Gir.
“Nosso rebanho conta com cerca de 40 vacas em lactação. Temos animais com média diária de 26 litros”, revelou o pesquisador Luciano Lopes, coordenador dos trabalhos.
Triângulo do sucesso: genética, pasto e suplementação
O resultado superior alcançado no experimento não se deve exclusivamente à genética privilegiada dos animais, mas sim à integração de três pilares fundamentais no sistema produtivo.
A base do projeto utiliza uma pastagem de alta performance com a cultivar híbrida BRS Quênia, complementada por uma nutrição estratégica que inclui a suplementação diária de 5 kg de concentrado proteico e o uso de silagem de milho como volumoso durante o período da seca.
Além do manejo técnico, o sucesso da iniciativa é sustentado por parcerias estratégicas com a Cooperativa Coopernova e a prefeitura de Sinop, que viabilizam a transferência desse melhoramento genético diretamente aos produtores locais por meio do repasse de bezerros machos.
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Rentabilidade superior à soja e ao corte
Em uma área de 12,5 hectares com 30 vacas, a receita bruta anual apenas com a venda do leite atingiu R$ 23.841,80 por hectare. O valor supera o rendimento médio obtido com a pecuária de corte e até com o sistema de sucessão soja-milho na região.
Além disso, a pesquisa abre portas para a dupla aptidão: gerar lucro em duas frentes distintas: a produção de leite e a produção de carne (corte).
Machos mestiços engordados em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) apresentaram ganho de peso diário de até 1,2 kg. “O produtor pode ter o leite como atividade principal e aproveitar os bezerros para o corte com alta produtividade”, explicou Lopes.
Desafios térmicos e o futuro da pesquisa
O próximo passo do estudo é entender como o estresse térmico afeta a reprodução e a fisiologia dos animais. Os pesquisadores comparam o desempenho das vacas a pleno sol com o sistema silvipastoril (com árvores).
Embora a produtividade tenha sido similar no primeiro ano, a equipe coletará dados de temperatura retal e bioquímica para verificar se o sombreamento oferece benefícios que, embora não alterem o volume de leite, possam melhorar os índices reprodutivos do rebanho em Mato Grosso.