Cafés da Chapada de Minas conquistam Indicação Geográfica e ganham projeção mundial

Selo oficializa a identidade e a qualidade dos grãos produzidos por 5,8 mil cafeicultores mineiros de 22 municípios no Vale do Jequitinhonha

Café da Chapada de Minas é reconhecido pela elegância e doçura

Os cafeicultores da Chapada de Minas, no Vale do Jequitinhonha, alcançaram um marco histórico nesta terça-feira (24). O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à região o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência.

O selo oficializa a identidade e a qualidade dos grãos produzidos por 5,8 mil cafeicultores mineiros, consolidando o território como um dos polos produtivos mais importantes do país.

A conquista é fruto de um trabalho iniciado em 2018 pelo Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) em parceria com o Sebrae Minas. A parceria teve como foco o desenvolvimento técnico e gerencial dos produtores, por meio de treinamentos, capacitações, visitas técnicas a feiras e eventos do setor, além de Dias de Campo — imersões em propriedades de referência que servem como modelo de boas práticas.

Com o novo registro, o Brasil chega a 156 IGs nacionais, sendo que a Chapada de Minas se torna a oitava região cafeeira de Minas Gerais a obter esse reconhecimento de origem e saber-fazer.

O potencial da região

A área delimitada pela IG abrange 22 municípios no Vale do Jequitinhonha e destaca-se pela predominância de pequenos produtores.

  • Produtores: 5,8 mil (maioria agricultura familiar).
  • Área cultivada: 30 mil hectares.
  • Produção anual: 400 mil sacas.
  • Empregos: 20 mil postos diretos e indiretos gerados pela cafeicultura.

Perfil sensorial do Jequitinhonha

O café da Chapada de Minas é reconhecido pela elegância e doçura. Segundo o ICCM, as características que agora estão protegidas por lei incluem:

  • Notas: Chocolate, caramelo e nuances de frutas vermelhas.
  • Corpo: Intenso e aveludado (perfil amanteigado).
  • Acidez: Málica de média a alta, conferindo vivacidade à xícara.
  • Finalização: Prolongada e equilibrada.

Valorização e desenvolvimento

Para o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, a IG é uma ferramenta de competitividade. “Além do impacto econômico, ajuda a consolidar a identidade regional e o reconhecimento de mercado nacional e internacional”, destacou.

A presidente do ICCM, Carmem Lídia Junqueira, reforça que o selo coroa anos de dedicação. “A Chapada de Minas é formada majoritariamente por pequenos grandes produtores, que são merecedores da valorização de seu produto e de sua história”, celebrou.

Municípios que compõem a IG Chapada de Minas

A lista contempla cidades que integram o Vale do Jequitinhonha e Região Central do estado:

Água Boa, Angelândia, Aricanduva, Capelinha, Caraí, Carbonita, Catuji, Diamantina, Felício dos Santos, Franciscópolis, Itaipé, Itamarandiba, José Gonçalves, Ladainha, Leme do Prado, Malacacheta, Minas Novas, Novo Cruzeiro, Senador Modestino Gonçalves, Setubinha, Turmalina e Veredinha.

Regiões de MG que possuem IG para café:

  • Cerrado Mineiro (Denominação de Origem)
  • Mantiqueira de Minas (DO)
  • Matas de Minas (IG)
  • Chapada de Minas (IG)
  • Sudoeste de Minas (IG)
  • Campo das Vertentes (IG)
  • Chapada de Minas
Leia também

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

Ouvindo...