O mercado de ovos interrompeu uma sequência negativa de cinco meses e apresenta sinais robustos de recuperação em fevereiro. Segundo dados parciais do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor registra altas expressivas que chegam a superar 40% em algumas regiões na comparação com janeiro.
O movimento de alta é sustentado por um ajuste fino entre a oferta e a demanda. Mesmo com a chegada da segunda quinzena do mês — período em que o consumo costuma esfriar devido à perda de poder aquisitivo das famílias —, os preços têm se mantido firmes, contrariando a tendência estacional de queda.
‘Efeito Quaresma’
O otimismo dos produtores está ligado no calendário religioso. Com o início da
“Neste período de 40 dias, o ovo ganha protagonismo como a principal alternativa às carnes para os consumidores que seguem a tradição. Essa migração de consumo é o combustível necessário para manter os valores em patamares elevados”, apontam os pesquisadores do Cepea.
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Retração real e cenário comparativo
Apesar do salto recente, o setor ainda busca recuperar o fôlego perdido no último ano. Na comparação com o mesmo período de 2025, os preços atuais ainda acumulam uma retração real superior a 30%.
| Período | Tendência de Preço | Contexto de Mercado |
| Últimos 5 meses | Queda consecutiva | Excesso de oferta e baixa demanda |
| Fevereiro (Parcial) | Alta de até 40% | Ajuste de estoque e início da Quaresma |
| Comparativo Anual | Retração de 30% | Valores ainda abaixo do patamar de 2025 |
Perspectivas
Para as próximas semanas, os agentes do setor acreditam que a combinação de uma oferta controlada e o pico de consumo religioso deve consolidar o ovo como um dos vilões — ou heróis, sob a ótica do produtor — da inflação de alimentos no curto prazo.