Pesca é liberada: Piracema termina neste sábado (28) em vários estados brasileiros

Período crucial da reprodução dos peixes proíbe pesca das espécies nativas

Do tupi, piracema significa “subida ou saída dos peixes”, período da reprodução das espécies

O calendário ambiental marca uma data aguardada por pescadores amadores e profissionais: neste sábado, 28 de fevereiro, encerra oficialmente o período da Piracema na maior parte das bacias hidrográficas do Centro-Sul e Sudeste do Brasil. O fenômeno, que começou entre outubro e novembro do ano passado, é o momento em que os peixes nadam contra a correnteza para desovar, sendo vital para a manutenção dos estoques pesqueiros.

O que muda a partir de agora?

Com o fim do defeso, a captura de espécies nativas — como o dourado, o pintado e o piapara — volta a ser permitida, respeitando-se as normas de tamanho mínimo e as cotas de transporte estabelecidas por cada órgão estadual.

Vale lembrar que a fiscalização foi intensa nos últimos meses. Pescadores flagrados em atividade irregular durante a Piracema enfrentaram multas severas, que variam de R$ 700 a R$ 100 mil, além do risco de detenção e apreensão de equipamentos.

Calendário: onde a pesca está liberada?

Embora o dia 28 marque o fim da restrição em estados populosos, o calendário é regionalizado para respeitar os ciclos biológicos de cada bacia. Confira o calendário:

Mato Grosso: 1° de outubro a 31 de janeiro

Goiás: 1° de outubro a 31 de março

Santa Catarina: 1° de outubro a 31 de janeiro

São Paulo: 1° de novembro a 28 de fevereiro

Minas Gerais: 1° de novembro a 28 de fevereiro

Tocantins: 1° de novembro a 28 de fevereiro

Paraná: 1° de novembro a 28 de fevereiro

Rio de Janeiro: 1° de novembro a 28 de fevereiro

Mato Grosso do Sul: 5 de novembro a 28 de fevereiro

Amazonas: 1° de dezembro a 31 de maio

Piauí: 15 de novembro a 16 de março

O que é a Piracema?

A piracema é o período crucial de reprodução de diversas espécies de peixes. Nesta época, a pesca de peixes nativos é proibida em rios e lagos de todo o país, como medida de proteção para garantir a manutenção das populações nativas.

A restrição é rigorosa para espécies que realizam o fenômeno da reprodução. Peixes nativos como o dourado, o tucunaré e o tambaqui estão totalmente protegidos, sendo a pesca completamente proibida.

Exemplos de peixes que podem ser pescados incluem tilápia, carpa, corvina e bagre-africano. Mesmo para essas espécies, há um limite de acordo com o estado.

Sustento garantido: o Seguro-Defeso

Para os pescadores artesanais que dependem exclusivamente da atividade, o período de pausa não significou desamparo. O Governo Federal disponibilizou o Seguro-Defeso, um auxílio de um salário-mínimo mensal para compensar a proibição da pesca comercial durante o ciclo reprodutivo. Com a liberação das águas, o benefício cessa e os profissionais retomam a comercialização regular.

Mesmo com a liberação, é fundamental portar a licença de pesca atualizada e verificar as normas específicas de cada reservatório ou trecho de rio, já que algumas áreas de preservação podem manter restrições permanentes.

Após meses de restrição para garantir a reprodução das espécies nativas, rios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e outras regiões voltam a receber pescadores.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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