Indústria perde ritmo e fecha 2025 com alta moderada de 0,6%
Setor teve queda acentuada no segundo semestre do ano passado, sentindo os efeitos da Selic em 15% ao ano

A produção industrial no Brasil teve uma alta acumulada de 0,6% em 2025, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta terça-feira (3). O resultado se dá em um contexto de política monetária restritiva, com a taxa básica de juros estimada em 15% ao ano travando os investimentos e o consumo no setor.
Apesar do crescimento moderado, é o terceiro ano seguido de alta da indústria, após registrar um avanço de 3,1% em 2024, e de 0,1% em 2023. Ainda de acordo com o IBGE, a produção industrial se encontra 0,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 16,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
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De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, a indústria teve uma clara perda de ritmo ao longo de 2025, passando de uma expansão de 1,2% no primeiro semestre para uma variação nula no segundo semestre. Em dezembro de 2025, a produção no setor teve um recuo de 1,2%, a queda mais intensa desde julho de 2024 (-1,5%).
“Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente nas decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”, disse André Macedo.
No ano, o setor foi sustentado pela indústria extrativa, que subiu 4,9% se comparado com 2024, enquanto a indústria de transformação teve queda de 0,2%. Em dezembro, o segmento teve uma alta de 0,9%, evitando perdas ainda maiores para a indústria geral, influenciada por um recuo de 1,9% na transformação.
“O setor extrativo, especialmente impulsionado pelo petróleo, é o principal destaque positivo. É o que garante o avanço do total do setor industrial, ao passo que a indústria de transformação teve uma perda de 0,2% no ano de 2025”, avaliou Macedo.
Apesar da perspectiva de redução da taxa básica de juros, a Fiemg avalia que a Selic deve permanecer em patamares elevados em 2026, mantendo as condições financeiras ainda restritivas. Por outro lado, o mercado de trabalho aquecido, com iniciativas de estímulo ao consumo e a construção civil, devem ajudar o setor no ano.
“Em conjunto, esses fatores tendem a sustentar a demanda interna, favorecendo de forma gradual a indústria de transformação e reduzindo o risco de um movimento mais acentuado de desaceleração da atividade econômica”, destacou a Fiemg.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



