BRB diz que encontrou ‘achados relevantes’ na auditoria do caso Master e enviou à PF

Banco de Brasília é investigado por gestão fraudulenta pela troca de ativos com o Banco Master

Banco de Brasília tentou a compra do Master em 2025, mas foi barrado pelo Banco Central

O Banco de Brasília (BRB) informou que a auditoria forense contratada para investigar a troca de ativos com o Banco Master, realizada pela antiga diretoria da instituição estatal, encontrou “achados relevantes”. Em nota divulgada nesta terça-feira (3), o BRB não detalhou quais seriam esses achados, mas destacou que um relatório preliminar foi entregue à Polícia Federal e ao Banco Central.

Segundo apuração do jornal O Globo, e confirmada pela Itatiaia, o BRB teria identificado indícios de que algumas operações financeiras com o Master podem ter sido estruturadas para burlar regras de transparência sobre a titularidade das ações. A estatal havia feito uma proposta para comprar o Master, rejeitada pelo BC em setembro do ano passado por riscos ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).

“Dando resposta ao quanto constatado na investigação independente, e com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, o BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB, medidas estas que correm, parte em sigilo”, disse o BRB.

O BRB foi alvo da primeira fase da Compliance Zero, ainda em novembro de 2025, suspeito de ter comprado ativos podres do Master após a compra do conglomerado de Vorcaro ter sido barrada pela autoridade monetária. Na época, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia, foram afastados do banco e demitidos logo em seguida.

A instituição teria injetado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, na compra de carteiras de crédito falsas e ativos irregulares. No ano passado, o BRB informou que já teria liquidado ou substituído mais de R$ 10 bilhões dos ativos do Master, e disse que poderia receber um aporte do seu controlador, o governo do Distrito Federal, caso seja confirmado o prejuízo no caso Master.

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar possível gestão fraudulenta do BRB no caso. A investigação foi comunicada ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em depoimento, o banqueiro Daniel Vorcaro chegou a citar encontros com o governador Ibaneis Rocha (MDB) para negociar a venda do Master para a estatal do Distrito Federal, mas o político negou que o assunto tenha sido tratado.

Veja a nota do BRB

O BRB informa que encontrou achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco junto à Machado & Meyer com suporte técnico da Kroll.

Prezando pela transparência e dever de colaboração com as autoridades competentes, a fim de confirmar eventuais atos ilícitos, o Banco BRB informa que entregou o relatório à Polícia Federal (PF), na última quinta-feira, 29/01/2026. O mesmo relatório também foi entregue na data de ontem, 02/02/2026, ao Banco Central.

Dando resposta ao quanto constatado na investigação independente, e com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, o BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB, medidas estas que correm, parte em sigilo, e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco.

Por fim, o BRB ressalta que segue sólido e reafirma seu compromisso com a preservação de seu patrimônio, de seus clientes e do desenvolvimento econômico e social de Brasília e região.

Leia também

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

Ouvindo...