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Fundado em 1963, o Grupo Patrimar nasceu como empreiteira e evoluiu para uma das maiores incorporadoras do país. Alex entrou na empresa em 1978 como estagiário e percorreu praticamente todas as áreas até chegar à presidência. Para ele, esse percurso moldou sua visão de gestão. “Eu comecei como estagiário e sempre fui uma pessoa muito questionadora”, afirmou. Ao longo do tempo, passou por funções operacionais e estratégicas até assumir o comando do grupo.
Na visão do executivo, na construção civil não existe liderança eficiente sem vivência prática do negócio. “Eu não acredito no nosso setor em um empresário que não tenha vivido todos os segmentos da empresa”, disse. Segundo Alex, entender como a obra funciona no dia a dia é essencial para tomar decisões consistentes. “Não basta você chegar e falar faz isso, faz aquilo, você tem que entender do seu negócio”, completou.
Durante a entrevista conduzida por Leonardo Bortoletto, Alex detalha a estrutura do grupo, que opera com duas empresas distintas. A Patrimar atua na alta renda e a novolar nos segmentos de média e baixa renda. Apesar de pertencerem ao mesmo grupo, as gestões são separadas. “São dois negócios bem diferentes. A única coisa em comum que eles têm é concreto e ferro”, explicou.
O presidente destaca que o maior ativo da empresa são as pessoas. Ele participa pessoalmente da escolha das principais lideranças e defende a valorização interna. “A coisa mais legal que tem é você valorizar a prata da casa”, afirmou. Segundo ele, a empresa mantém uma política clara de sucessão, com preparação contínua de profissionais para assumir novas responsabilidades.
A cultura organizacional é tratada como pilar do crescimento. Alex relembra que, com o crescimento da empresa, passou a enxergar o RH como área estratégica. “Cultura é tudo”, afirmou. De acordo com ele, todo novo colaborador passa por um período de aculturamento para entender como a empresa funciona e quais são seus valores.
A inovação aparece principalmente nos processos construtivos e na busca por eficiência. Alex explica que, na média e baixa renda, a pressão por custo e prestação acessível acelera mudanças. “Na baixa renda é o tamanho da prestação que o seu cliente consegue pagar”, disse. Por isso, produtividade e eficiência se tornam decisivas.
Um dos pontos centrais da conversa é o crescimento acelerado do grupo. Alex relembra o projeto PX2, que dobrou o tamanho da empresa em quatro anos, e reconhece que o avanço rápido exigiu uma reorganização posterior. “Todo processo de crescimento acelerado dá uma desorganizada”, afirmou. Segundo ele, a fase atual é de ajuste fino, com foco em processos e gestão, apoiada por consultoria externa.
Ao falar de mercado imobiliário, Alex avalia que a baixa renda segue em forte expansão, impulsionada pelo Minha Casa, Minha Vida. Já a alta renda sofre impacto direto da taxa de juros elevada. “Hoje a gente tem uma taxa de juros real de 10%. Isso é o fim da picada”, disse. Apesar disso, ele destaca que não há excesso de estoque de imóveis prontos nesse segmento.
O plano de crescimento do grupo prevê lançamentos anuais em torno de R$ 3 bilhões nos próximos anos, sustentados por um land bank estimado em R$ 16 bilhões. A atuação está concentrada nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e na cidade de São Paulo, com crescimento orgânico e planejamento de longo prazo.
Na Pergunta de Ouro da audiência, Alex defende que, mesmo com juros altos, ainda vale a pena comprar imóvel. “Vale muito”, afirmou. Ele explica que compras na planta se beneficiam da expectativa de queda dos juros e da possibilidade de portabilidade do crédito. “Na hora que a taxa de juros começa a cair, o preço dos imóveis sobe”, disse.
O episódio reforça o posicionamento do Itatiaia Negócios Cast como espaço de análise acessível e qualificada sobre decisões reais, gestão e os rumos do mercado imobiliário brasileiro.