A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), divulgada nesta terça-feira (3), confirma a sinalização do
Segundo a ata do Copom, após profundas discussões sobre o nível corrente da Selic como mecanismo para assegurar a convergência do índice de preços a meta de 3%, o colegiado agora discute a calibração da política monetária no contexto de um “ambiente de melhora do cenário corrente e expectativas de inflação menos distantes da meta”.
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“O Comitê avalia que a condução cautelosa da política monetária tem contribuído para se observar ganhos desinflacionários e, mais uma vez, reafirma o firme compromisso com o mandato do Banco Central de levar a inflação à meta. Após a análise de um amplo conjunto de informações, incluindo a dinâmica recente da inflação e os sinais mais claros de transmissão da política monetária, considerando suas defasagens, o Comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião”, disse.
Apesar da sinalização, não houve nenhum indicador de como será o ciclo de cortes. A expectativa do mercado financeiro é de que a Selic caia 0,5 ponto percentual na reunião de março do Copom, e encerre o ano de 2026 em 12,25%. A projeção é do Boletim Focus divulgado nessa segunda-feira (2).
Para a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitoria, a ata do Copom não traz grandes novidades. A especialista destaca que, diante das incertezas relacionadas aos efeitos da política fiscal do governo na demanda, o Comitê deve adotar uma postura cautelosa nos cortes de juros. “Nossa expectativa é de que o ciclo comece com uma redução de 50 pontos-base, ritmo que deve ser mantido no cenário atual”, disse.
“Uma aceleração no ritmo de cortes poderia ocorrer caso a atividade econômica apresente desaceleração mais intensa e/ou o câmbio siga em trajetória de apreciação. Mantemos a projeção de Selic em 12,50% ao final do ano”, completou a economista do Inter.
O que é a Selic?
A Selic é a taxa de referência do mercado financeiro. Quando a taxa sobe, as taxas de juros reais também tendem a subir, que pode levar a diminuição de investimentos pelas empresas e à diminuição de consumo por parte das famílias. Isso ocorre porque o crédito fica mais caro, na medida em que a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras também sobe, desestimulando inclusive o financiamento de bens duráveis.
Outro canal importante de transmissão da política monetária é a taxa de câmbio, principalmente nas economias emergentes. Quando a taxa de juros sobe, a moeda doméstica tende a se valorizar. O dólar, por exemplo, fica mais barato frente ao real, diminuindo o nível de preço dos bens comercializáveis internacionalmente.
A política monetária atua também por meio de variações na riqueza dos agentes econômicos. Por exemplo, um aumento nas taxas de juros, ao desestimular a atividade econômica e o lucro das empresas, tende a diminuir o preço das ações. Essa redução do valor da riqueza financeira das famílias e empresas pode desestimular os planos de investimento.