Copom mantém juros em 15% ao ano, prevê corte em março, mas prega cautela

Manutenção da Selic já era esperada pelo mercado financeiro; Ciclo de corte pode começar na próxima reunião do colegiado

Copom é órgão do Banco Central

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa básica de juros estável em 15% ao ano, nesta quarta-feira (28). É a sexta reunião consecutiva do colegiado que decide manter a Selic inalterada no maior patamar dos últimos 20 anos, desde quando a autoridade monetária encerrou o ciclo de altas na reunião de junho de 2025.

A decisão já era esperada pelo mercado financeiro, que, apesar de ver melhoras nos dados da inflação brasileira, espera um corte de juros somente na reunião de março. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, os especialistas preveem um corte de 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom, e estimam uma Selic em 12,25% ao ano em 2026.

A taxa de juros é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O patamar elevado é usado com o objetivo de desacelerar o consumo e levar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta de 3%.

Nessa lógica, a autoridade monetária ressaltava que está confiante em manter a política monetária restritiva por um “período bastante prolongado” caso seja necessário. No comunicado, o colegiado afirmou que os indicadores seguem apresentando moderação no crescimento da atividade econômica, mas a inflação se mantém acima da meta.

“O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse.

Para Ian Lima, gestor de renda fixa do Inter Asset, o comunicado foi mais leve do que o anterior, com a retirada de frases como “manutenção de uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período baste prolongado”, e a “retomada do ciclo de alta”.

“A manutenção do balanço de riscos e a preocupação com as medidas de inflação cheia e medidas subjacentes ainda presentes, indicam, por ora, um ciclo de cortes não muito profundo, mas uma calibragem de dosagem de juros reais correntes que veio subindo nos últimos trimestres por conta de uma trajetória de inflação mais benigna que o anteriormente projetado”, disse.

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A Selic é a taxa de referência do mercado financeiro. Quando a taxa sobe, as taxas de juros reais também tendem a subir, que pode levar a diminuição de investimentos pelas empresas e à diminuição de consumo por parte das famílias. Isso ocorre porque o crédito fica mais caro, na medida em que a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras também sobe, desestimulando inclusive o financiamento de bens duráveis.

Outro canal importante de transmissão da política monetária é a taxa de câmbio, principalmente nas economias emergentes. Quando a taxa de juros sobe, a moeda doméstica tende a se valorizar. O dólar, por exemplo, fica mais barato frente ao real, diminuindo o nível de preço dos bens comercializáveis internacionalmente.

A política monetária atua também por meio de variações na riqueza dos agentes econômicos. Por exemplo, um aumento nas taxas de juros, ao desestimular a atividade econômica e o lucro das empresas, tende a diminuir o preço das ações. Essa redução do valor da riqueza financeira das famílias e empresas pode desestimular os planos de investimento.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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