Durante participação no
“A energia no Brasil poderia ser mais barata. O grande problema é que, ao longo do tempo, foram sendo colocados muitos subsídios dentro da tarifa”, afirmou.
Segundo Reynaldo, existe uma diferença expressiva entre o custo real de produzir energia e o valor final pago pelo consumidor. “Hoje, gerar energia custa algo em torno de R$ 200 por megawatt hora. Mas o consumidor paga perto de R$ 1.000. Essa diferença vem basicamente dos encargos e subsídios”, explicou.
Quais são os subsídios embutidos na conta de luz?
De forma prática, o presidente da Cemig detalhou os principais fatores que encarecem a tarifa:
1. Subsídios para fontes de energia já maduras
O Brasil ainda mantém incentivos para fontes como energia solar e eólica, mesmo sendo tecnologias já consolidadas e competitivas. “Essas fontes já são maduras. Não faz mais sentido manter subsídio para elas”, afirmou Reynaldo.
2. Encargos setoriais acumulados ao longo dos anos
A conta de luz carrega diversos encargos criados por decisões políticas e regulatórias, como subsídios regionais e programas específicos. “Foram empilhando subsídios com o tempo. Um paga, o outro não paga, e alguém precisa cobrir essa conta”, disse.
3. Despacho de usinas térmicas
Em momentos de escassez hídrica ou falhas no planejamento, o sistema elétrico aciona usinas térmicas, que têm custo muito mais elevado. “Despachar térmica custa caro e esse custo vai direto para a tarifa”, explicou.
4. Falta de foco em subsídios para tecnologias estratégicas
Para Reynaldo, os subsídios deveriam ser direcionados apenas a tecnologias ainda em desenvolvimento, como armazenamento de energia. “Se faz sentido subsidiar algo hoje, é bateria, é armazenamento. Isso traz estabilidade ao sistema. Não faz sentido subsidiar o que já se paga sozinho.”
Quanto isso pesa, na prática, no bolso do consumidor?
O impacto é direto e mensurável. Segundo Reynaldo, sem esse conjunto de subsídios e encargos, a conta poderia ser significativamente menor. “Uma conta de R$ 150 poderia custar algo próximo de R$ 100. Estamos falando de um terço a menos”, afirmou.
Ele reforça que não existe solução simples ou imediata, mas defende uma revisão estrutural do modelo.
“Não existe almoço grátis. Quando alguém não paga, outro paga no lugar. Precisamos decidir com clareza quem deve ser subsidiado e por quê.”
O papel das concessionárias
Reynaldo também esclareceu um ponto que frequentemente gera confusão. “A Cemig não define tarifa. Quem define é a agência reguladora. As concessionárias apenas aplicam o que é determinado”, explicou.
Para ele, o debate sobre energia precisa sair do senso comum e avançar para decisões estruturais. “Se o Brasil quiser energia mais barata, precisa rever subsídios, investir em rede e dar estabilidade ao sistema.”
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