O Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, interrompeu o ciclo de cortes na taxa básica de juros
A autoridade monetária norte-americana vinha promovendo cortes a “conta gotas”, reduzindo o intervalo da taxa em 0,25 ponto percentual (p.p) por três reuniões consecutivas, contrariando o desejo do presidente Donald Trump, que pedia cortes mais agressivos.
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Como justificativa, os diretores apontavam para uma
“A criação de empregos tem permanecido baixa e a taxa de desemprego tem apresentado alguns sinais de estabilização. A inflação permanece um tanto elevada. O Comitê busca alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% no longo prazo”, disse o comunicado, ressaltando que as incertezas econômicas permanecem “elevadas”.
Ao manter os juros estáveis, o Fed ainda destacou que “avaliará cuidadosamente” os dados da economia norte-americana, comprometido em “apoiar o pleno emprego e retornar a inflação à sua meta de 2%. “Ao avaliar a postura adequada da política monetária, o Comitê continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas”, emendou.
Os diretores também ressaltam que o colegiado está preparado para ajustar a política monetária, não descartando retomar o ciclo de altas nos juros caso seja necessário. “As avaliações do Comitê levarão em consideração uma ampla gama de informações, incluindo dados sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, bem como desenvolvimentos financeiros e internacionais”, completa.
A decisão ainda revela um Fed dividido quanto ao rumo da política monetária. Enquanto 10 diretores votaram para manter a taxa estável, outros dois votaram para um novo corte de 0,25 p.p.
Por que os juros nos EUA importam?
Como os Estados Unidos são a economia mais estável do mundo, seu mercado trabalha como se alimentasse outras economias com o seu dinheiro. Uma taxa de juros alta nos EUA torna os títulos do tesouro americano o melhor investimento, por terem praticamente risco zero. Isso faz com que os investidores retirem dinheiro do Brasil e apliquem no exterior.
Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, esse diferencial nos juros é um dos principais determinantes da taxa de câmbio. “Atualmente, temos um diferencial elevadíssimo. Quanto maior essa diferença, menor pressão de depreciação cambial nós temos. E isso é importante pois um câmbio depreciado tende a gerar repasse inflacionário, aumentando os preços dos bens em reais”, disse.