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Banco Central dos Estados Unidos interrompe cortes nos juros e mantém taxa inalterada

Federal Reserve contrariou desejo do presidente Donald Trump e manteve os juros estáveis após três cortes em 2025

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Corte já era esperado após falas do presidente do Fed, Jerome Powell

O Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, interrompeu o ciclo de cortes na taxa básica de juros na reunião desta quarta-feira (28). O intervalo de juros norte-americanos ficou inalterado entre 3,5% e 3,75%, a mesma porcentagem da decisão do Fed da reunião de dezembro de 2025.

A autoridade monetária norte-americana vinha promovendo cortes a “conta gotas”, reduzindo o intervalo da taxa em 0,25 ponto percentual (p.p) por três reuniões consecutivas, contrariando o desejo do presidente Donald Trump, que pedia cortes mais agressivos.

Como justificativa, os diretores apontavam para uma estagnação no mercado de trabalho, mesmo que a inflação ainda esteja alta para os padrões americanos (2,8%). Agora, o Fed afirma que os indicadores sugerem que a atividade econômica nos EUA está se expandindo em ritmo sólido.

“A criação de empregos tem permanecido baixa e a taxa de desemprego tem apresentado alguns sinais de estabilização. A inflação permanece um tanto elevada. O Comitê busca alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% no longo prazo”, disse o comunicado, ressaltando que as incertezas econômicas permanecem “elevadas”.

Segundo o economista sênior do Banco Inter, o comitê indicou que não tinha clareza dos rumos da economia para tomar uma decisão de corte. O comunicado ainda omite riscos de queda para o emprego, enquanto afirma que a atividade segue crescendo a um ritmo robusto.

"Tal linguagem é consistente com o que vimos nas divulgações recentes. Entretanto, mantida a tendência atual do mercado de trabalho, esperamos que o comitê volte a cortar na reunião de março, tendo em vista o baixo dinamismo na geração de emprego e uma estabilização da taxa de desemprego em patamar elevado", disse o especialista.

A decisão ainda revela um Fed dividido quanto ao rumo da política monetária. Enquanto 10 diretores votaram para manter a taxa estável, outros dois votaram para um novo corte de 0,25 p.p.

Por que os juros nos EUA importam?

Como os Estados Unidos são a economia mais estável do mundo, seu mercado trabalha como se alimentasse outras economias com o seu dinheiro. Uma taxa de juros alta nos EUA torna os títulos do tesouro americano o melhor investimento, por terem praticamente risco zero. Isso faz com que os investidores retirem dinheiro do Brasil e apliquem no exterior.

Segundo o economista sênior do Banco Inter, André Valério, esse diferencial nos juros é um dos principais determinantes da taxa de câmbio. “Atualmente, temos um diferencial elevadíssimo. Quanto maior essa diferença, menor pressão de depreciação cambial nós temos. E isso é importante pois um câmbio depreciado tende a gerar repasse inflacionário, aumentando os preços dos bens em reais”, disse.

PorJornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.