Brasil segue com o segundo maior juros reais do mundo, na frente da Argentina

Ranking da MoneYou e Lev Intelligence mostra os maiores juros reais do mundo, que é o desconto da inflação na taxa básica do país

Copom sinalizou corte nos juros em março

Com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em manter a taxa básica de juros inalterada em 15% ao ano, nesta quarta-feira (28), o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo (9,23%). O resultado ocorreu em razão da inflação que, mesmo em queda, não foi suficiente para melhorar o posicionamento do país no ranking levantado pela MoneYou e Lev Intelligence.

O patamar da Selic é o maior desde junho de 2006, quando foi fixada em 15,25% ao ano. A taxa de juros é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O nível elevado é usado com o objetivo de desacelerar o consumo e levar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta de 3%. A inflação fechou 2025 em 4,26%, dentro do teto da meta e abaixo do esperado.

De acordo com o levantamento, o Brasil está atrás apenas da Rússia, país envolvido em uma Guerra e que possui uma taxa de juros reais em 9,88%. O país ganha da Argentina, que enfrenta uma grave crise econômica nos últimos anos e possui juros em 7,63%; da Turquia (6,45%), e do México (5,39%).

Em linhas gerais, os juros reais são obtidos pelo desconto da inflação da taxa básica de juros. No caso, com a inflação em 4,26% no acumulado dos últimos 12 meses, e uma Selic em 15%, os juros reais estão estimados em 9,23%. Cabe lembrar que a Selic funciona como uma referência para o mercado, com títulos públicos e outros investimentos sendo fixados a sua variação.

No comunicado, o Copom afirmou que os indicadores seguem apresentando moderação no crescimento da atividade econômica, mas a inflação se mantém acima da meta. O Copom também sinalizou que pode iniciar o ciclo de cortes na próxima reunião, marcada para março, caso o cenário continue favorável.

“O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse.

Ranking de juros reais

PaísTaxa
Rússia9,88%
Brasil9,23%
Argentina7,63%
Turquia6,45%
México5,39%
África do Sul4,64%
Colômbia4,22%
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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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