IoT e IA: a nova fronteira da competitividade industrial no Brasil

Pesquisa da ABINC revela que 63,3% dos especialistas veem a integração tecnológica como tendência absoluta para o futuro. No entanto, para transformar o potencial do IoT em produtividade real, a indústria eletroeletrônica precisa capacitar seu pessoal, garantindo que o país não seja apenas um montador, mas um desenvolvedor de inovação.

Empresários devem investir na formação de equipes capazes de operar sistemas integrados e robótica avançada em parceria com o 5G

A indústria brasileira passa por um momento de otimismo tecnológico, mas ainda não conseguiu ultrapassar alguns gargalos estruturais. Hoje, o setor eletroeletrônico vive um paradoxo: enquanto as casas brasileiras se tornam cada vez mais “espertas”, as fábricas enfrentam o desafio de encontrar quem saiba orquestrar essa inteligência.

A automação residencial e a Internet das Coisas (IoT) deixaram de ser promessas de feiras de tecnologia para se tornarem pilares de um mercado em ebulição. Segundo dados da Grand View Research, o mercado de smart homes no Brasil deve atingir um faturamento de US$ 12,823.7 milhões até 2030. Mais impressionante é a velocidade desse avanço: projeta-se um crescimento anual composto (CAGR) de 27,6% entre 2025 e 2030.

No entanto, para o industrial, o lucro não está apenas no produto final instalado na parede do consumidor, mas na capacidade de integrar tecnologias complexas no chão de fábrica. De acordo com o Monitor da Indústria 4.0, do Observatório Nacional da Indústria, a adoção de conceitos de digitalização na matriz produtiva brasileira poderia gerar uma economia de R$ 73 bilhões ao ano. Onde está o entrave, então? Na escassez de capital humano preparado para o diálogo entre o silício e o software.

A sinfonia da integração

O Panorama do IoT no Brasil 2025, realizado pela ABINC e TI Inside, revela que a tendência mais relevante para o futuro não é uma tecnologia isolada, mas a integração: 63,3% dos especialistas apontam a fusão entre IoT e Inteligência Artificial como o caminho inevitável.

Para o empresário do setor eletroeletrônico, isso significa que não basta produzir dispositivos; é preciso sustentar um ecossistema. A pesquisa mostra que, embora a indústria represente 15,4% das empresas que adotam IoT, o desafio de encontrar profissionais que dominem desde o Edge Computing até a análise de dados em nuvem é uma constante.

Investir em formação de pessoal não é, portanto, um custo acessório ou um gesto de benevolência social. É estratégia de sobrevivência. Sem técnicos e engenheiros que compreendam a linguagem do 5G e a sensibilidade dos sensores, o Brasil corre o risco de ser apenas um montador de ideias alheias, perdendo a chance de liderar o desenvolvimento de soluções tropicais.

Leia também

Da fábrica para o lar

A transformação digital, como aponta o relatório da Indústria 4.0, exige sistemas mais automatizados e robôs colaborativos. Gigantes como o Grupo Renault e a Airbus já utilizam parcerias tecnológicas (como o Google Cloud) para refinar suas cadeias de suprimentos e processos de rebite e perfuração.

No Brasil, o cenário para o setor eletroeletrônico é fértil. A eficiência energética e a segurança são os grandes motores que levam o consumidor a buscar a automação. Mas, para que o produto brasileiro seja competitivo, a qualidade da “costura” (seja ela uma solda física ou uma linha de código) precisa ser impecável.

A mensagem para o industrial é clara: o mercado de US$ 12 bilhões está batendo à porta. O passaporte para entrar nele não é apenas a compra de maquinário de última geração, mas o investimento no brilho intelectual de quem opera essas máquinas. Formar pessoas é o único caminho para transformar o potencial do IoT em produtividade real e, finalmente, em soberania tecnológica.

Veja como os cursos do Senai abordam conectividade e programação de sistemas inteligentes. Clique para conhecer.

Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

Ouvindo...