‘Epidemia’ de faltas: pesquisa aponta recorde de absenteísmo no Reino Unido em 2025

Relatório da Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD) revela que média de ausências subiu para 9,4 dias por colaborador; saúde mental e estresse por sobrecarga de trabalho são as principais causas de afastamentos de longo prazo em organizações britânicas

Além do volume de tarefas, o “estilo de gestão” ainda figura entre as cinco maiores causas de estresse

Empreender e gerir no cenário atual é como remar contra uma corrente invisível, exaustiva, mas persistente. Num mercado onde a incerteza é rotina, o colapso silencioso dos colaboradores tornou-se o novo desafio das organizações.

Um relatório abrangente sobre saúde e bem estar corporativo, intitulado Health and Wellbeing at Work 2025, foi produzido pela CIPD (Chartered Institute of Personnel and Development), instituto de especialistas em RH e desenvolvimento de pessoas. O trabalho contou com o apoio da Simplyhealth, organização voltada para o acesso a cuidados de saúde no ambiente de trabalho.

Os dados, coletados pela CIPD entre março e abril de 2025 de 1.101 organizações apontam sintomas de um sistema em estado de alerta, a ausência do trabalho justificada por doença atingiu o recorde de 9,4 dias por funcionário ao ano.

A fragilidade invisível do home office

O trabalho remoto, antes visto como a panaceia da qualidade de vida, revelou sua face ambígua. Se por um lado ele impulsiona a produtividade para 33% das empresas, por outro, ele camufla o esgotamento. O isolamento e a dificuldade de estabelecer fronteiras entre o “lar” e o “ofício” fizeram com que o presenteísmo (o ato de trabalhar mesmo estando doente) subisse em 35% das organizações com funcionários remotos.

É o paradoxo da hiperconectividade: o profissional nunca esteve tão disponível e, ao mesmo tempo, tão ausente de sua própria saúde. O relatório aponta que é significativamente mais difícil notar quando um colaborador remoto está sob estresse extremo até que o afastamento se torne inevitável.

O peso do mundo nas planilhas

A saúde mental consolidou-se como a principal causa de afastamentos de longo prazo, citada por 41% dos gestores. Não se trata apenas de uma flutuação emocional, mas de uma arquitetura de trabalho que asfixia: as cargas de trabalho excessivas são apontadas como o principal gatilho para o estresse ocupacional por 41% das empresas.

Além do volume de tarefas, o “estilo de gestão” ainda figura entre as cinco maiores causas de estresse. O dado reforça que a liderança por pressão, embora entregue números imediatos, corrói o ativo mais valioso de qualquer negócio: o capital humano.

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O dividendo da saúde na engrenagem industrial

No setor industrial, onde a precisão das máquinas depende do vigor de quem as opera, investir em promoção da saúde corporativa deixou de ser uma política de auxílio para se tornar uma estratégia de sobrevivência operacional. O relatório da Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD) demonstra que o investimento em bem-estar não é um custo a fundo perdido, mas um gerador de retornos mensuráveis.

Para a indústria, os benefícios de uma postura proativa em relação à saúde são estruturais:

  • Melhoria do engajamento e performance: cerca de 39% das organizações registram aumento no engajamento, enquanto 38% observam melhora direta no desempenho.
    Redução do absenteísmo: ocupar-se da saúde do trabalhador reduz as ausências em 39% dos casos, protegendo a linha de produção de interrupções custosas.
    Identificação de riscos: o uso de serviços de saúde ocupacional permite gerenciar riscos específicos do ambiente fabril, atuando antes que a fadiga se converta em acidente ou doença crônica.
    Atração de talentos: em um mercado competitivo, 25% das empresas utilizam seus programas de saúde como diferencial para recrutar melhores candidatos.
    Retenção e clima organizacional: ações de bem-estar ajudam a fixar profissionais qualificados e a construir uma cultura de segurança e suporte.

Numa era onde a eficiência é ditada pela resiliência, a indústria que cuida de sua gente é a que garante a continuidade de seu negócio. O desafio para 2026 será integrar essa visão ao orçamento, tratando o bem-estar como a manutenção preventiva mais essencial de toda a planta industrial.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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