A precisão de um ensaio físico-químico é, para a indústria, o que o batimento cardíaco é para o corpo humano: um indicador vital de que tudo caminha conforme o esperado. Longe de serem meros protocolos burocráticos, esses testes são a fronteira final que separa a inovação do risco e o produto nacional do mercado global.
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O passaporte para o mercado internacional
A confiança nos resultados de ensaios e calibrações é a ferramenta fundamental para superar barreiras técnicas no comércio exterior. Com a publicação da Portaria nº 782, de 21 de novembro de 2025, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) estabeleceu o Programa de Desenvolvimento da Infraestrutura da Qualidade (ProdIQ).
O objetivo do programa é permitir que instituições públicas, científicas e associações sem fins lucrativos aprimorem sua gestão laboratorial para obter a acreditação da Coordenação-Geral de Acreditação (Cgcre). Esse movimento visa descentralizar a competência técnica, levando o padrão de qualidade da norma ABNT NBR ISO/IEC 17025 para áreas estratégicas do país.
Essa infraestrutura robusta funciona como um seguro contra a repetição de ensaios em países importadores. Ter um laudo reconhecido internacionalmente garante que o produto brasileiro atenda às políticas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Automação e a era da indústria resiliente
Se por um lado o setor público pavimenta a estrada da acreditação, a iniciativa privada investe em tecnologia de alta performance. De acordo com o estudo “2025 Chemical Industry Outlook”, elaborado pela Deloitte, a indústria química global registrou aumento na produção em 2024 e espera continuidade em 2025.
A grande transformação ocorre no chão de fábrica com a modernização dos processos. A automação dos ensaios físico-químicos via Internet das Coisas (IoT) busca reduzir a margem de erro humano. O estudo da Deloitte reforça que o foco está em:
- Aumento de margens e redução de custos operacionais;
- Investimentos em descarbonização e fontes de energia renovável;
- Uso de inteligência artificial para melhorar a eficiência produtiva;
- Desenvolvimento de produtos químicos de base biológica (bio-based).
As perspectivas para a indústria química em 2026 indicam que os próximos 12 meses continuarão desafiadores, exigindo maior estabilidade de mercado.
Sustentabilidade: a nova métrica de valor
A busca por soluções de baixo carbono continua sendo uma prioridade estratégica para o setor. Para que um produto seja considerado “verde”, cada etapa de sua produção deve ser validada por ensaios rigorosos que comprovem sua eficiência energética e conformidade com a economia circular.
O ProdIQ e o investimento privado em tecnologia convergem para atender setores de crescimento rápido. A demanda deve ser impulsionada por áreas como:
- Produção de semicondutores;
- Projetos de energia limpa;
- Fabricação de veículos elétricos, que consomem 85% mais produtos químicos que motores convencionais.
A química do sucesso industrial depende da precisão com que a indústria mede sua própria evolução. Com a redução das taxas de juros e estabilização econômica prevista para 2025, o setor deve intensificar programas de eficiência para garantir competitividade global.
O Senai realiza análises precisas para garantir estabilidade e conformidade nas suas formulações.