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O eco dos tempos
O relatório “Ipsos Flair”, desenvolvido pela Ipsos, uma das maiores empresas multinacionais de pesquisa de mercado e consultoria do mundo, disponibiliza anualmente um conjunto de análises sobre tendências comportamentais, sociais e de consumo para o próximo ano.
A publicação mais recente intitulada “Eco dos Tempos”, apresenta dados que revelam que 60% dos brasileiros desejam que o país “volte a ser como antes”. Esse sentimento de nostalgia não é meramente emocional, mas uma resposta à ansiedade gerada pela aceleração tecnológica e pelas incertezas econômicas.
No entanto, a nostalgia pode ser uma alavanca estratégica para a inovação. Marcas que conseguem unir o afeto do passado a funcionalidades modernas têm visto suas chances de sucesso aumentarem, elevando o engajamento de 39% para 65% quando incorporam propostas emocionais ao benefício funcional. Para a indústria de bens de consumo, por exemplo, o design que evoca memórias afetivas, aliado à eficiência contemporânea, é um território fértil.
Desafios e oportunidades na era da inteligência artificial
A inteligência artificial já molda a realidade fabril, trazendo promessas de produtividade e personalização. Contudo, o industrial deve agir com cautela na comunicação: apenas 35% dos brasileiros confiam em marcas que utilizam IA para criar conteúdos, e 62% ainda preferem campanhas feitas por humanos.
A palavra de ordem é a “IA Humanizada”. O desafio do gestor é equilibrar a eficiência algorítmica nos processos internos com a manutenção da autenticidade e da empatia no relacionamento com o mercado. O consumidor quer o benefício da tecnologia, mas exige sentir a presença humana por trás do produto.
Sustentabilidade e o novo contrato social
Com os olhos do mundo voltados para o Brasil após a
Empresas que adotam práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) relatam maior lealdade dos clientes. No Brasil, 73% dos consumidores afirmam que tentam comprar de marcas responsáveis, mesmo que o custo seja ligeiramente mais elevado. O lucro, agora, precisa vir acompanhado de impacto positivo.
Perspectivas para 2026
Independentemente do cenário político, a indústria precisará enfrentar desafios profundos, como a crise fiscal e a fragmentação social. A reconstrução de pontes e a geração de confiança serão fundamentais para que o setor produtivo não apenas sobreviva, mas lidere a retomada do crescimento nacional.
O futuro da indústria brasileira será moldado pela capacidade de transformar a crise em um catalisador para uma modernização que respeite as raízes, sem temer o que está por vir.