Segurança do Trabalho: por que o técnico ‘educador’ é o novo trunfo das indústrias

Investimento em cultura de prevenção vai além de evitar multas; foco no ensino humanizado eleva produtividade e reduz acidentes nas organizações

Foco no ensino humanizado eleva produtividade e reduz acidentes nas organizações

Historicamente, a figura do técnico de segurança do trabalho no chão de fábrica muitas vezes mimetizou a de um vigilante: alguém focado na punição e na fiscalização rígida de normas. No entanto, o cenário industrial moderno exige uma mudança sensível. A transição do técnico “policial” para o técnico “educador” não é apenas uma troca de tom, mas uma estratégia de negócio que substitui o medo pela consciência e transforma a base produtiva em um agente ativo de proteção.

O fim da era do ‘fiscal de EPI’

A segurança do trabalho tradicional, muitas vezes, limitou-se à entrega de equipamentos, mas a literatura especializada indica que ela deve ser entendida como um conjunto de medidas preventivas que garantem a integridade física, mental e social do trabalhador. Segundo o estudo “Noções de Segurança do Trabalho para futuros gestores”, publicado na Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) a verdadeira proteção nasce de um compromisso coletivo que integra a cultura organizacional.

Quando o técnico atua como um educador, ele deixa de apenas apontar falhas para mediar o conhecimento, utilizando metodologias ativas que colocam o trabalhador como protagonista do seu próprio aprendizado. Essa abordagem é fundamental porque o processo reflexivo desenvolve a autonomia e o senso crítico diante de situações que exigem tomada de decisão na vida profissional.

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A indústria brasileira ainda enfrenta desafios severos. Embora tenha havido uma redução de 37,9% nos registros entre 2013 e 2020, o país ainda contabilizou 445.814 acidentes de trabalho no último ano do levantamento. Conforme os dados apresentados pela pesquisa da UFPB, investir na formação de uma cultura prevencionista traz retornos claros para a organização:

  • Redução de custos: gastos com medidas preventivas são, na verdade, investimentos que reduzem processos judiciais e o absenteísmo.
  • Ganho de eficiência: a melhoria da qualidade de vida no trabalho resulta em um aumento da produtividade e na qualidade de produtos e serviços.
  • Saúde Mental: um ambiente seguro mitiga a fragilidade social e mental gerada pelo medo e pela ansiedade, fatores acentuados em cenários de crises sanitárias e adaptações tecnológicas.

A transição na base: o técnico como multiplicador

Para que essa mudança ocorra, é necessário que a formação desses profissionais seja mais humanizada e interdisciplinar. O estudo destaca que, mesmo em empresas desobrigadas a manter um SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho), a responsabilidade pela segurança recai sobre o gestor, que deve possuir conhecimentos básicos sobre legislação e riscos ocupacionais.

A proposta de intervenção pedagógica sugerida pelos autores envolve uma sequência didática dividida em três momentos (planejamento, execução interativa e avaliação de percepção) servindo como modelo para formar líderes capazes de replicar a consciência prevencionista no ambiente de trabalho. Em última análise, os resultados satisfatórios de uma indústria são alcançados por pessoas motivadas e satisfeitas com suas condições de trabalho.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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