O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerada a
A alta também veio levemente abaixo do esperado pelo mercado financeiro, que estimava um crescimento de 0,23% no indicador. O resultado representa uma redução de 0,05 ponto percentual (p.p) em relação à prévia de dezembro de 2025.
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Segundo o IBGE, dos nove grupos pesquisados, o destaque fica para uma aceleração de 0,81% no setor de saúde e cuidados pessoais, com um impacto de 0,11 p.p. O setor de alimentação e bebidas também tiveram uma alta de 0,31% no mês, ante uma alta de 0,13% em dezembro de 25, com um impacto de 0,07% no indicador.
Apenas dois grupos tiveram uma queda no resultado de janeiro. O setor de habitação recuou 0,26%, após uma alta de 0,17% em dezembro. Essa queda se dá pela redução de 2,91% na energia elétrica residencial, maior impacto negativo do resultado do mês (-0,12 p.p),
O outro grupo que teve queda foi o de Transportes (-0,13%), sob influência da passagem aérea, que caiu 8,92%, e do ônibus urbano, com recuo de 2,79%, especialmente por conta da implementação da tarifa zero aos domingos e feriados em Belo Horizonte (-18,26%).
Segundo o economista sênior do banco Inter, André Valério, o resultado qualitativo apresenta uma piora na margem, assim como o IPCA cheio de dezembro (0,33%). “A média dos núcleos saltou de 0,32% para 0,43%, enquanto a inflação de serviços recuou de 0,7% para 0,15%, mas muito influenciada pela queda em passagens aéreas. Excluindo esse item, a inflação de serviços teria sido de 0,36%”, explicou.
O especialista ainda cita um avanço na margem da inflação de serviços subjacentes, de 0,52% para 0,53%, enquanto a de serviços intensivos em trabalho avançou de 0,65% para 0,73%. A inflação de bens industriais saltou de -0,05% em dezembro para 0,64% em janeiro, enquanto o índice de difusão, que mede o tamanho do processo inflacionário, saiu de 54,5% para 63,5%.
Taxa de juros
Valério destaca que o resultado do IPCA-15 terá pouca relevância para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decide a nova taxa básica de juros nesta quarta-feira (28). A expectativa é de que o colegiado mantenha a taxa de juros inalterada em 15% ao ano, mas com ajustes no comunicado para refletir a possibilidade do início do ciclo de cortes na reunião de março.
“Com o anúncio da redução do preço da gasolina em 5,2% pela Petrobrás, teremos um impacto baixista relevante no IPCA entre janeiro e março, o que, aliado à tendência desinflacionária em curso e de acomodação da atividade, fornece, em nossa visão, condições suficientes para o início do ciclo de cortes em março”, destacou.
Segundo Ian Lima, gestor de renda fixa do Inter Asset, a decisão do Copom deve reforçar a estratégia de manutenção da Selic em patamares elevados por um período prolongado, associado à postura aos ganhos desinflacionários recentes. Com a reunião, o horizonte relevante da política monetária passa a ser o terceiro trimestre de 2027, com a projeção da inflação em 3,1%, ligeiramente acima do centro da meta de 3%.
“Já o comunicado deve manter um tom duro, reforçando o compromisso do Banco Central (BC) com o cumprimento das metas de inflação, uma vez que as projeções de mercado ainda indicam apenas uma reancoragem parcial das expectativas e as pesquisas Focus mostram poucos avanços desde a reunião de dezembro”, destacou.