O nono episódio do
À frente da companhia desde 2020, Reynaldo afirma que o principal DNA da Cemig sempre foi a excelência técnica. “O DNA da Cemig é ser referência técnica. É uma empresa que tem uma engenharia de excelência e que é motivo de orgulho para Minas e para o Brasil”, destacou.
Logo ao assumir a presidência, ele identificou que, apesar da alta capacidade técnica, havia espaço para ganhos relevantes de eficiência econômica. A primeira decisão foi simbólica e prática ao mesmo tempo. “A gente tinha avião, hangar, estrutura exclusiva. Vendemos o avião, saímos do hangar e cortamos custos. Era preciso dar o exemplo”, afirmou. Segundo ele, a mudança gerou economia milionária e estabeleceu um novo padrão interno.
Outra virada estratégica foi redefinir completamente o foco da companhia. “A Cemig fez uma escolha clara: focar em Minas e vencer. Hoje, 100% dos nossos investimentos estão em Minas Gerais”, disse. A decisão levou à saída de ativos fora do estado e concentrou esforços em distribuição, transmissão e geração onde a empresa tem maior expertise.
Os resultados vieram rapidamente. Reynaldo destaca que a empresa passou por uma transformação estrutural. “Saímos de um investimento anual de menos de R$ 1 bilhão para mais de R$ 6,5 bilhões por ano. Em dez anos, serão quase R$ 60 bilhões investidos”, afirmou. Segundo ele, cerca de 75% desse valor é destinado à expansão e modernização da rede elétrica.
Para o presidente da Cemig, investir em rede é condição básica para o crescimento econômico. “Sem rede, não existe transição energética. Não adianta ter energia solar ou eólica se você não
consegue transmitir”, explicou. Ele reforça que a empresa voltou a ser indutora do desenvolvimento mineiro. “Hoje, qualquer investidor que venha para Minas encontra ou encontrará infraestrutura. A Cemig deixou de ser gargalo.”
A descentralização da gestão também foi apontada como inovação-chave. “Criamos seis regionais no interior do estado para ficar mais perto do cliente. Isso mudou completamente o atendimento”, afirmou. A empresa também passou a diferenciar metas para áreas urbanas e rurais, algo que antes não existia.
Questionado sobre decisões duras e resistência interna, Reynaldo foi direto. “Gestão exige exemplo, justiça e resultado. Quando o resultado aparece, não há argumento contra”, disse. Ele lembra que, mesmo diante de uma CPI na Assembleia Legislativa, todas as ações da companhia foram arquivadas. “Foi um momento difícil, mas mostrou que a gestão era séria e tinha propósito.”
O futuro da Cemig, segundo ele, está ligado à transição energética e à estabilidade do sistema. “Temos orgulho de dizer que 100% da energia gerada pela Cemig é limpa. Fechamos até nossa usina termelétrica para garantir isso”, afirmou. Ao mesmo tempo, defende mais investimentos em hidrelétricas para garantir energia firme. “Solar e eólica são importantes, mas a água garante estabilidade. O Brasil tem 12% das reservas de água doce do mundo e precisa usar isso com inteligência.”
Encerrando a conversa, Reynaldo deixou um recado para líderes e gestores. “Dê sempre o seu melhor e exija o melhor da equipe. A régua tem que ser alta. O resultado vem como consequência.”
O episódio reforça o posicionamento do Itatiaia Negócios Cast como espaço de discussão sobre decisões reais, gestão pública eficiente e infraestrutura como motor do desenvolvimento.
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