Master pagou R$ 5 milhões para consultoria do escritório de Lewandowski

Ex-ministro do STF e da Justiça e Segurança Pública confirmou que trabalhou para o Master quando retornou para a advocacia

Ministro afirma que serviços foram prestados antes de entrar no governo Lula

O escritório do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, foi contratado para prestar serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. A atuação teria ocorrido após o magistrado retornar às atividades de advocacia ao se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda em abril de 2023, antes dele ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o MJSP.

Em nota, Lewandowski afirmou que deixou o escritório e suspendeu o seu registro junta à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) assim que foi convidado por Lula para assumir a chefia da pasta da Justiça, em janeiro de 2024, deixando de atuar em todos os casos que estavam no guarda-chuva do escritório.

“Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”, diz a nota.

O envolvimento de Lewandowski com o conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro foi revelado pela colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, nessa segunda-feira (26). Segundo a matéria, o Master teria pago R$ 5 milhões ao escritório do ex-ministro, em um contrato de R$ 250 mil mensais.

Lewandowski deixou o escritório em 17 de janeiro de 2024. Desde então, a banca é chefiada por sua esposa, Yara de Abreu Lewandowski, e o filho Enrique Lewandowski, que teriam seguido prestando serviços ao banco mesmo com a saída do ex-ministro do STF.

O Master também chegou a contratar o escritório de advocacia de Viviani Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 2024. O contrato tinha duração de três anos, e totalizaria um pagamento de R$ 129 milhões com o pagamento mensal de R$ 3,6 milhões mensais por um total de 36 meses. As informações foram publicadas pela colunista do jornal O Globo, Malu Gaspar.

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O Master e Daniel Vorcaro foram alvos da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que teve como objetivo combater a venda de títulos de créditos falsos pelo conglomerado de instituições do banco. Os títulos eram usados para alavancar sua capitalização, oferecendo taxas de juros em percentuais acima da média do mercado.

As apurações contra Vorcaro e o Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Vorcaro chegou a ser preso no dia 18 de novembro, no aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava deixar o país em um jatinho particular com destino a Malta. No dia 29, o empresário foi solto após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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