Antigos caciques políticos miram voltar ao páreo nas eleições deste ano em Minas Gerais e ensaiam candidaturas à Assembleia Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. De nomes que não conseguiram se eleger no último pleito, até figuras que estão há anos afastadas da política, o retorno às urnas em 2026 marca todo o espectro político e pode apresentar ao eleitor antigos conhecidos da vida pública brasileira.
Um dos nomes é o do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos), articulador do impeachment de Dilma Rousseff (PT), que tenta retomar a carreira política com uma candidatura por Minas Gerais. Gestado como parlamentar no Rio de Janeiro, Cunha se afastou da política em 2016 frente às condenações no âmbito da Operação Lava Jato e sua prisão naquele ano.
Agora, o ex-parlamentar tenta reconstruir sua imagem a partir de Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde vem investindo em rádios evangélicas, espelhando o início de sua carreira no estado fluminense, e em times de futebol, também em uma tentativa de recuperar capital político para retornar à Câmara dos Deputados. Procurado pela reportagem, Eduardo Cunha não quis dar entrevista.
“Convocado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ano passado para retornar ao PT após mais de 20 anos fora do partido, o ex-deputado estadual e candidato ao governo do estado em 2018, João Batista Mares Guia, afirmou, em entrevista à Itatiaia, que está em pré-campanha para uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele, inclusive, fala em ser um eventual líder de governo de Lula na Casa se ambos forem eleitos no pleito deste ano.
“O presidente Lula convidou-me para retornar ao PT e ‘convocou-me’ a candidatar a deputado federal. Disse que ‘preciso de você em Brasília para defender o governo na Câmara dos Deputados, propor uma agenda positiva e propor e liderar debates’. Portanto, para assumir a liderança do governo na Câmara. Aceitei”, declarou.
Ex-vereador de Belo Horizonte e ex-deputado estadual por seis mandatos, Sávio Souza Cruz (MDB), que também ocupou cargos nas gestões de Itamar Franco e Fernando Pimentel (PT), ensaia um retorno à vida pública nas eleições deste ano. O ex-parlamentar não se candidatou à reeleição em 2022, quando considerava a possibilidade de ser indicado para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), o que não aconteceu.
À época, ele apoiou a candidatura de Lucas Lasmar (Rede) para a Assembleia Legislativa, e, agora, pretende fazer uma dobradinha com o parlamentar e se lançar à Câmara dos Deputados, em um projeto conjunto com o correligionário, que tentará a reeleição. “Estou acompanhando muito o mandato do Lucas e estão insistindo muito para eu voltar. O projeto é conjunto”, detalha. Apesar de se manter filiado ao MDB, Souza Cruz não garante que sairá pelo partido e diz que conversa com outras legendas como a Rede e o PV.
Afastada da vida pública desde 2022, a ex-deputada federal e ex-vereadora de Belo Horizonte, Áurea Carolina (PSOL), retornou à vida partidária e visa uma candidatura ao Senado Federal em 2026. Em entrevista à Itatiaia no fim do ano passado, a ex-parlamentar se disse “preparada” e “regenerada” para retornar à política institucional depois do hiato de quase quatro anos.
“Esse meu recuo de não disputar a reeleição foi uma reflexão de que eu precisava me cuidar e me proteger, ter condições mais seguras para estar na política institucional. Não era uma dúvida sobre minha vocação. Meu desejo é atuar politicamente, tanto que não deixei de fazer isso”, disse.
Movimento nacional
O retorno às urnas não acontece apenas em Minas Gerais. O fenômeno também é observado em outros estados e também abrange um amplo espectro político, com figuras históricas tentando voltar à vida pública em todo o país. Um dos exemplos é o ex-ministro de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) José Dirceu (PT), que visa retornar à Câmara dos Deputados em uma candidatura por São Paulo após uma série de condenações na Justiça terem sido revistas nos últimos anos.