Deputado do União Brasil avalia que filiação de Pacheco à legenda é algo ‘natural’

Rodrigo Lopes avaliou cenário em que o partido se movimenta dando liberdade para a atuação de lideranças locais

Em entrevista à Itatiaia, o deputado estadual Rodrigo Lopes (União Brasil) falou sobre as movimentações partidárias mirando as eleições deste ano

O deputado estadual Rodrigo Lopes (União Brasil) avalia com ‘naturalidade’ uma eventual filiação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao seu partido e aponta o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil- AP), como o nome responsável pelas articulações da legenda para as eleições deste ano.

Em entrevista à colunista de política da Itatiaia Bertha Maakaroun, Lopes falou sobre as movimentações do União Brasil para o pleito de outubro. Ao citar a proximidade entre Pacheco e Alcolumbre, ele abordou a possibilidade do partido receber o senador mineiro como nome cotado para disputar o Executivo Estadual.

“Tem oito anos que (o Senado) orbita entre essas duas lideranças, o Rodrigo, oriundo do Democratas que depois se tornou o União Brasil, e o Davi Alcolumbre. Eu vejo com muita naturalidade uma eventual volta do senador Rodrigo Pacheco ao União Brasil. Não vejo como algo fora do contexto político e a gente tem percebido que isso, de fato, pode acontecer. Mas existe um outro degrau: Rodrigo viria para disputar um cargo ou para concluir o mandato de senador? Essa é uma pergunta que nós ainda não temos a resposta, a gente ainda tem que esperar o desenrolar desse processo, mas eu acredito que, de fato, o retorno ao União Brasil é algo que é mais palpável nesse momento”, afirmou o deputado estadual.

A possibilidade de filiação de Pacheco ganhou força na última semana com a migração do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União para o PSD. O goiano almeja se candidatar à Presidência da República e sua saída libera o partido para adotar posturas diferentes em cada estado, sem a necessidade de alinhamento à uma campanha nacional.

Pacheco é o nome favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao Governo de Minas com apoio do PT. A eventual filiação do senador ao União seria um movimento de aproximação da legenda junto ao governo federal semelhante ao já formalizado na última sexta com a filiação de Clécio Luís, governador do Amapá e próximo do petista.

Embora a filiação de Pacheco faça sentido dentro da estratégia nacional desenvolvida por Alcolumbre, no âmbito estadual e considerando a federação do União com o PP nos cálculos, o desembarque do senador mineiro na legenda apresenta obstáculos.

O PP mineiro está imiscuído ao Executivo Estadual com seu principal cacique, Marcelo Aro, no comando da Secretaria de Governo e com aspirações ao Senado. A relação sugere que o partido tenha resistência a apoiar uma candidatura de oposição à do vice-governador Mateus Simões (PSD), que representa a manutenção da gestão comandada por Romeu Zema (Novo) desde 2019.

Rodrigo Lopes faz a ressalva de que uma eventual chegada de Pacheco ao União Brasil com o objetivo de disputar o Palácio Tiradentes muda significativamente o cenário eleitoral no estado.

“É importante destacar que o Davi Alcolumbre hoje é a grande liderança política do União Brasil, considerando que o presidente Antônio Rueda não ocupa um cargo eletivo e o ACM Neto tem um protagonismo muito mais focado na Bahia, na perspectiva de disputar o governo do Estado. Então, o Davi está nessa coordenação política nacional, fazendo essas construções. A filiação do governador do Amapá, que é o estado dele, é uma sinalização de fortalecimento do Alcolumbre. Se Rodrigo Pacheco, de fato, confirmar sua filiação à União Brasil, também é alguém próximo de Alcolumbre. É óbvio que se o Rodrigo Pacheco se filiar à União Brasil com a perspectiva de disputar o governo de Minas, altera completamente a posição da federação aqui no estado”, avaliou.

Veja a entrevista na íntegra:

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

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