Influenciador brasileiro preso pelo ICE declarou apoio a Trump em vídeo; veja

Junior Pena foi preso nesse fim de semana pelo ICE, o serviço de imigração dos EUA

Influenciador Junior Pena

O influenciador Junior Pena, mineiro preso pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, da sigla em inglês), declarou apoio ao presidente Donald Trump em vídeo publicado nas redes sociais e disse que quem estava ajudando o país não seria deportado “de jeito nenhum”.

Em um vídeo nas redes sociais, Junior afirmou que, entre os presidentes Donald Trump e Joe Biden, preferia Trump. “Eu sou Donald Trump. Eu gosto do cara. Quando ele estava no poder, o dólar tava acima dos cinco [reais]. Isso, para a gente, é muito bom. A gente tem o prazer de trabalhar todos os dias, ganhar o dinheiro e mandar pro Brasil”, afirmou.

Junior disse, ainda, que as pessoas que trabalham para ajudar os EUA não seriam deportados. “Eu só estou vendo o cara [Donald Trump] cuidando do país dele. Eu estou andando na linha, pagando taxas e tentando me legalizar, assim como muitos imigrantes que querem ficar em ordem. Ele [Trump] vai deportar quem estiver irregular, os bandidos e as pessoas que estão fazendo coisa errada. Você acha que ele vai deportar quem está querendo ajudar o país? De jeito nenhum”, publicou.

Vale lembrar que o vídeo foi publicado por Junior em junho de 2024, antes de Donald Trump vencer Kamala Harris nas eleições daquele ano. Ao ser eleito, o presidente estadunidense iniciou políticas duras anti-imigração.

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Mineiro entrou ilegalmente nos EUA

Junior é mineiro de Belo Horizonte e, em 2008, iniciou o processo de imigração para os EUA, onde chegou em 2009. Ele entrou no país com a ajuda de ‘coiotes’, que são pessoas que ajudam imigrantes a entrarem ilegalmente nos Estados Unidos pela fronteira com o México.

Segundo o influenciador, a rota dos coiotes passa por Minas, São Paulo e Guatemala até chegar ao México e, posteriormente, aos EUA. Ao chegarem ao destino desejado, é necessário solicitar asilo ao país e buscar advogado para dar continuidade ao processo de regularização. Quando foi preso, Junior ainda estava nesse processo.

Nas redes sociais, Junior conta com mais de 480 mil seguidores, onde contava relatos de outros brasileiros que, assim como ele, estavam no país de maneira ilegal.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Nova York, afirmou que acompanha o caso. “O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família”, dizia o comunicado.

Preso por não comparecer a uma audiência

Segundo um amigo de Junior, o também influenciador Maycon MacDowel, ele está detido no Centro de Detenção Delaney Hall, em Nova Jersey, após não comparecer a uma audiência de trânsito.

MacDowel contou que o registro do carro de Junior venceu e ele precisou ir até a corte americana. Ele conseguiu uma advogada que tentou adiar a audiência, mas a mudança não constou no sistema e o brasileiro não compareceu à audiência. Com isso, ele foi preso.

“O que fez ele ser preso foi que ele faltou uma corte, mas a corte foi de trânsito. Essa é a realidade do caso dele certinho, para a gente não ter sombra de dúvida”, disse Maycon.

“A parte da imigração, como eu falei, ele fez um trabalho legal, conseguiu fazer o impossível acontecer, fez um trabalho excelente. Só que vacilou nessa parte, nessa comunicação da corte de trânsito”, acrescentou.

De acordo com Maycon, Junior não tem carta de deportação. “Ele estava com tudo aprovado, dentro da legalidade. Mas aí o que acontece se não vai à corte? Eles prendem”, disse.

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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