Donald Trump lida com consequências de ações violentas do ICE em Minneapolis

Dois agentes de imigração foram suspensos; presidente dos Estados Unidos reorganiza hierarquia do ICE em Minnesota e substitui comandante da fronteira no estado

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O presidente do Estados Unidos, Donald Trump, está lidando com algumas consequências após ações violentas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) que resultaram na morte de dois cidadãos norte-americanos em Minnesota. Agentes de imigração suspensos e reorganização da hierarquia dos agentes mobilizados no estado são algumas mudanças.

Dois oficiais de imigração foram suspensos após a morte de Alex Pretti, de 37 anos. Ele levou vários tiros depois de ser obrigado a se jogar no chão por agentes da Patrulha da Fronteira (CBP). Além disso, o chefe de operação anti-imigração foi susbstituído.

Gregory Bovino ficou conhecido por comandar operações agressivas e televisionadas de imigração. Agora, o cargo está sendo ocupado por Tom Homan, que é mais focado em políticas públicas. Ele irá apresentar um novo plano contra a imigração nesta quinta-feira (29), anunciou a Casa Branca.

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O presidente dos EUA e autoridades locais de Minnesota possuem posições diferentes em relação às ações do ICE. Trump tentou conter a indignação expressa pelo prefeito de Minneapolis e governado de Minnesota dizendo que queria “reduzir um pouco a tensão” no estado.

Porém, o prefeito da cidade, Jacob Frey, afirmou esperar que a violência seja evitada. “Quero que evitem homicídios, não que cacem um pai trabalhador”, escreveu em uma rede social, em referência ao cidadão equatoriano pai de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, ambos mantidos em um centro no Texas após serem detidos por agentes federais em Minneapolis.

A batalha política pode chegar ao Congresso, onde os democratas ameaçam bloquear verbas orçamentárias caso não haja reformas para conter operações de estilo militar das agências de imigração.

Um juiz federal bloqueou temporariamente, na última quarta-feira (28), a medida do governador de deter refugiados em Minnesota que aguardam a regularização da residência permanente e ordenou a libertação dos que estão presos.

Relembre os casos de violência

A cidade de Minneapolis foi marcada por tiroteios fatais nas últimas três semanas, incluindo a morte de dois cidadãos norte-americanos: Renee Good e Alex Pretti, os dois de 37 anos. Durante uma operação, em 7 de janeiro, um agente federal atirou no carro em que Renee estava.

A secretária de Segurança Interna, Kriti Noem, afirmou, na época, que havia uma multidão hostilizando os agentes e a mulher teria “transformado o seu veículo em uma arma”, tentando atropelar o policial. Para se defender, ele abriu fogo contra Renee.

Autoridades locais contestaram a versão da secretária. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador de Minnesota, Tim Walz, são contra as ações do ICE no território. As declarações tensionam a relação deles com Donald Trump, que caracteriza o trabalho da agência como “fenomenal.” O caso aumentou a tensão em Minneapolis e manifestantes entraram em combate com a polícia.

Em 24 de janeiro, agentes federais atiraram e mataram Alex Pretti, sob a justificativa que o cidadão estadunidense estaria armado e resistiu à abordagem durante uma operação em Minneapolis, levando o agente a atirar em legítima defesa.

Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, inicialmente justificou a morte de Pretti, classificando-o como um “assassino em potencial”, apesar de as imagens em vídeo mostrarem que o enfermeiro não representava qualquer ameaça quando foi baleado pelas costas enquanto permanecia imobilizado no chão.

Posteriormente, Miller voltou atrás e afirmou que os agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras que mataram Pretti “podem não ter seguido esse protocolo.”

* Com informações da AFP

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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