EUA lideram expansão global de gás para alimentar inteligência artificial

Estados Unidos têm projetos em desenvolvimento que podem dobrar produção de gás carbônico no país

Ano de 2026 deve bater o recorde anual de emissões de energia a gás em todo o mundo

Os Estados Unidos lideram um grande aumento mundial na geração de energia a gás, segundo relatório da Global Energy Monitor (GEM) publicado neste mês. O crescimento recorde é motivado pela expansão dos data centers, que demandam grande consumo de energia para alimentar a inteligência artificial.

O ano de 2026 deve bater o recorde anual de emissões de energia a gás em todo o mundo. De acordo com a pesquisa, projetos em desenvolvimento podem aumentar a capacidade global de gás existente em 50%.

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Os Estados Unidos são líderes no movimento em prol do gás. O país triplicou sua capacidade planejada de geração do combustível em 2025 e deve usar esse potencial para alimentar a grande necessidade de eletricidade da inteligência artificial em 2026.

Se todos os projetos de gás em desenvolvimento nos EUA forem concluídos, o país causará emissões de 12,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono ao longo de sua vida útil, o dobro das emissões anuais atuais provenientes de todas as fontes. No mundo, o boom de gás planejado causará 53,2 bilhões de toneladas de CO².

Trump deixa Acordo de Paris e Fundo Verde do Clima

Os Estados Unidos saíram oficialmente do Acordo de Paris Sobre o Clima pela segunda vez nessa terça-feira (27). Neste mês, o país também anunciou a saída imediata do Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund - GCF), iniciativa que financia ações climáticas em países em desenvolvimento. Ambos incentivam o abandono de combustíveis fósseis e a transição gradual para a energia limpa e renovável.

Em um comunicado divulgado no início de janeiro deste ano, a Casa Branca informou que Donald Trump havia assinado um Memorando Presidencial determinando a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais “que não servem mais aos interesses americanos”.

A nota cita a retirada do Acordo de Paris e justifica que “o presidente Trump está economizando dinheiro do contribuinte e redirecionando recursos para as prioridades da América”, e destaca que as organizações vetadas “promovem políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos que conflitam com a soberania e a força econômica dos EUA”.

Ao anunciar a saída do Fundo Verde do Clima, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o GCF é uma organização radical e argumentou que o projeto “contraria o fato de que energia acessível e confiável é fundamental para o crescimento econômico e a redução da pobreza”.

“Em consonância com a decisão do governo Trump de se retirar da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o Departamento do Tesouro dos EUA notificou o Fundo Verde para o Clima (GCF) de que os Estados Unidos estão se retirando do Fundo e renunciando ao seu assento no Conselho do GCF, com efeito imediato”, diz comunicado do Departamento do Tesouro.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

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