O juiz federal dos Estados Unidos John Tunheim ordenou nessa quarta-feira (28) o bloqueio temporário de uma ordem do presidente Donald Trump acerca da detenção de refugiados no Minnesota que aguardam pelo visto permanente, além da libertação de pessoas detidas.
A medida ocorre em meio a uma escalada da violência no estado estadunidense por parte de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) após a morte de dois civis americanos, Renee Nicole Gold e Alex Pretti.
Na determinação, o juiz distrital afirmou que o governo Trump pode continuar aplicando as leis de imigração e revisar a situação dos refugiados, mas que deve fazê-lo “sem prender, nem deter os refugiados”.
“Os refugiados têm o direito legal de estar nos Estados Unidos, o direito de trabalhar, o direito de viver em paz e, o que é importante, o direito de não serem submetidos ao terror da prisão ou detenção sem mandados judiciais nem causa em suas residências ou a caminho de serviços religiosos ou de comprar alimentos”, escreveu na decisão publicada.
A ordem foi criticada pelo vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, conhecido por liderar a política migratória de Trump. “A sabotagem judicial da democracia não tem fim”, escreveu Miller no X, antigo Twitter.
Relembre os casos
Renee foi morta por membros do ICE no dia 7 de janeiro enquanto tentava os afastar da lateral do carro quando dirigia. Segundo os agentes federais, ela bloqueava a passagem da equipe.
Pessoas que testemunharam o caso relatam a cena como “macabra”. Em entrevista a um jornal local, a mãe de Renee, Donna Ganger, disse que a filha “provavelmente estava apavorada” e não desejava um confronto com os agentes do ICE.
No último sábado (24), um homem de 51 anos foi baleado por agentes federais de imigração sob suspeita de portar uma arma de fogo. Imagens divulgadas posteriormente desmentiram a versão dos oficiais e mostrou que Alex carregava apenas o celular em mãos.
O governador de Minnesota, Tim Walz, opositor do presidente Donald Trump, acusou “as pessoas mais poderosas do governo federal” de “inventarem histórias e divulgarem fotos” sobre a ocorrência.
(Sob supervisão de Alex Araújo)