O governo dos
Recém-completado um ano de seu segundo mandato, o presidente dos EUA destacou que o governo republicano alcançou três pontos positivos. Além do combate à imigração ilegal, que é uma das prioridades de
Em entrevista à Itatiaia, o professor de política internacional e de defesa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lucas Rezende, explicou que o governo de Donald Trump interrompe a ideia de que os Estados Unidos são a maior democracia do mundo.
“Os Estados Unidos, que se apresentavam como a maior democracia, ou a democracia mais consolidada do mundo, hoje não são mais uma democracia liberal, dentro do conceito que a ciência entende”, disse.
Neste segundo mandato, Washington está utilizando estratégias de governos “neo totalitários”, como a descredibilização das instituições democráticas, o populismo e a ideia de que apenas um líder consegue interpretar a vontade real da população, conforme o professor.
Ele ainda explicou que, agora, a visão política de Trump busca dividir o mundo entre líderes de três potências:
Ação na América do Sul: captura de Maduro
No primeiro fim de semana de 2026, os EUA realizaram uma operação militar na Venezuela, durante a madrugada de sábado (3), e
A ofensiva norte-americana ocorreu após meses de tensão entre os dois países, com intensa mobilização de tropas no mar do caribe e ações contra barcos que, supostamente, seriam do narcotráfico.
Após a captura, Trump afirmou que os EUA vão governar a Venezuela até que haja uma transição democrática no país. Ele também ressaltou o interesse nas reservas de petróleo, e afirmou que empresas americanas vão voltar a operar no território.
O casal foi levado de Caracas aos Estados Unidos para julgamento sobre uma possível “conspiração narcoterrorista”, além do transporte ilegal de cocaína e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Maduro e Flores
A vice-presidente da Venezuela,
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Para além de interesses econômicos, o professor da UFMG afirmou que Trump tem um objetivo muito maior: redefinir a agenda política global.
“O que houve foi uma submissão total do regime venezuelano para continuar existindo às vontades de Donald Trump. Ele não está preocupado com a democracia na Venezuela, com a vida dos venezuelanos, com a proteção dos direitos civis ou mesmo com o impacto do tráfico de drogas na região”, explicou Lucas Rezende.
Tensões internas: política anti-imigração
O combate a imigração ilegal nos Estados Unidos foi uma das promessas de campanha para a eleição de Trump em 2024. Desde então, o republicano duplicou o número de efetivos do
A ação resultou em mais de 600 mil deportações entre janeiro e dezembro de 2025, segundo a Casa Branca, além de 65 mil migrantes detidos. Os números destacam que quase 2 milhões de pessoas optaram pela “auto-deportação voluntária”, em meio a pressões e ameaças.
Neste sentido, o professor da UFMG destacou acreditar que as ações do ICE corroboram para a ideia de um governo neototalitário, relacionando com a característica de “busca constante de um inimigo.” “Nos Estados Unidos, está sendo direcionado para imigrantes, principalmente latinos e asiáticos”, comentou.
Em janeiro deste ano,
A cidade foi marcada por tiroteios fatais nas últimas três semanas, incluindo a morte de dois cidadãos norte-americanos:
Autoridades locais contestaram a versão da secretária. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador de Minnesota, Tim Walz, são contra as ações do ICE no território. As declarações tensionam a relação deles com Donald Trump, que caracteriza o trabalho da agência como “fenomenal.” O caso aumentou a tensão em Minneapolis e manifestantes entraram em combate com a polícia.
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Em 24 de janeiro, agentes federais atiraram e mataram
Porém, o jornal The New York Times publicou que repórteres analisaram um
Após as mortes, o governador de Minnesota classificou a ação do ICE como “repugnante” e ainda declarou que Minnesota “não aguenta mais.” Ele ainda fez uma pergunta direta a Trump: “O que temos que fazer para que estes agentes federais saiam do nosso estado?”
Em meio às tensões e posições contrárias sobre o tema,
“O governador Tim Walz ligou para me pedir que trabalhemos conjuntamente. Foi uma ligação muito positiva e, na verdade, parece que estamos em sintonia. Vamos voltar a nos falar muito em breve”, escreveu o republicano.
Ele também anunciou o envio de seu “czar” anti-imigração ilegal, Tom Homan, para Minnesota, com a missão de informá-lo pessoalmente sobre a situação no estado.
Desestabilizar a Europa: controle da Groenlândia
“A questão da Groenlândia é uma forma de rachar a Europa. O objetivo principal é quebrar a Europa e a Otan. É a velha tática de dividir para governar e ele está implementando isso de maneira muito eficaz”, explicou Lucas Rezende. “Ele fez isso na América Latina, com a ação na Venezuela, está fazendo isso na Europa com relação à Groenlândia, e também tenta mudar o regime do Irã”, completou o professor.
Trump expõe o desejo de anexar os Estados Unidos com a
A localização estratégica e os recursos da Groenlândia poderiam beneficiar os EUA. A região fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que pode ser crucial para o sistema de alerta de mísseis balísticos do país, por exemplo.
Não é a primeira vez que os Estados Unidos tentam controlar esse território.
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As ameaças de Washington aumentaram a tensão entre os países, mas também com a
O presidente norte-americano anunciou que o encontro também resultou em um acordo preliminar entre os EUA e a Otan sobre a Groenlândia. Poucos detalhes foram divulgados, mas Trump garantiu que “obteve tudo que buscava” e “para sempre.”
Por outro lado, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou desconhecer o acordo. O premiê segue ressaltando que não irá ceder e que “ninguém além da Groenlândia e da Dinamarca está autorizado a firmar acordos sobre a ilha e o Reino da Dinamarca.”
Oriente Médio: intervenção no Irã
Desde o início das
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A tensão entre os países voltou nesta semana, após o Comando Central (Centcom), responsável pelas operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, anunciar a chegada de uma força militar na região.
O Centcom não revelou a localização exata do