Irã entra na terceira semana de protestos com ameaças dos EUA

Primeiro ministro do país afirmou estar pronto para guerra, mas aberto ao diálogo

Onda de manifestações no país entra na terceira semana

O Irã entrou na terceira semana consecutiva de manifestações contra o regime dos aiatolá Ali Khamenei e o alto custo de vida no país. Esta é a maior onda de protestos desde que o representante assumiu como chefe de Estado.

Segundo a Organização de Direitos Humanos dos EUA no Irã, o HRANA, pelo menos 544 pessoas morreram durante os protestos, incluindo 483 manifestantes e oito crianças. Ainda de acordo com a organização, mais de 10.600 pessoas foram presas durante as manifestações.

Outras ONGs relataram um “massacre” das forças policiais no Irã, enquanto a polícia local relata um aumento da violência por parte dos protestantes. Hospitais relatam superlotação por conta do número de feridos.

Em entrevista à CNN, um médico disse que os hospitais enfrentam um estado caótico, outro afirmou que os soldados usaram “rifles militares” para matar “ao menos 30 pessoas” na última sexta-feira (9)

Trump ameaça intervir no Irã

No último domingo (11), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não se opor a “opções fortes”, que podem incluir intervenções no Irã, durante a forte onda de manifestações que tomam o país nas últimas semanas.

Durante o dia, afirmou também que o Irã entrou em contato com representantes americanos e propôs negociações sobre as ameaças. O presidente disse estar aberto ao diálogo, mas que pode precisar “agir antes” caso a onda de violência siga em alta.

Por meio de um comunicado feito em uma TV estatal, o aiatóla respondeu que a “República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para ela”. “Também estamos prontos para negociações, mas elas devem ser justas, com direitos iguais e baseadas no respeito mútuo”, finalizou.

Em publicação feita no X, antigo Twitter, Ali Khamenei fez um comentário destinado a Trump. “Que aquele que está sentado ali com arrogância e orgulho, julgando o mundo inteiro, saiba que os tiranos e arrogantes deste mundo foram derrubados quando estavam no auge de seu orgulho, e ele também será derrubado”, publicou.

Apagão digital no Irã

O Irã enfrenta desconexão da internet desde quinta-feira (8), durante o crescimento da onda de protestos no país. “Um blackout não é uma falha técnica no Irã, é uma estratégia”, disse a iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, em comunicado divulgado no Telegram.

Isik Mater, diretor de pesquisa da NetBlocks, uma empresa global de monitoramento de conexão à internet, afirmou que o governo iraniano “aperfeiçoou seu mecanismo de desligamento digital” no país. “Isso se traduz diretamente na perda de transparência e na perda de vidas”, completou.

(Sob supervisão de Aline Campolina)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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