Por que Trump cobiça a Groenlândia? Veja quais são os atrativos da ilha

Republicano afirmou que precisado território para a segurança nacional; primeiro-ministro da Groenlândia disse que não aceitará o desejo dos Estados Unidos ‘sob nenhuma circunstância’

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Recursos minerais e localização estratégica são os principais atrativos da Groenlândia, um território 80% coberto de gelo autônomo da Dinamarca, no Ártico. Estas são as razões do presidente americano, Donald Trump, desejar anexar o país com os Estados Unidos.

O desejo do republicano já havia sido divulgado. No ano passado, ele disse que precisa da Groenlândia para a segurança nacional, afirmando até que compraria a ilha em vez de invadi-la.

Por outro lado, o premiê da Groenlândia, Jens-Frederik Nielse, reitera que não aceitará o desejo dos Estados Unidos de controlar o território ártico “sob nenhuma circunstância”.

Setor da mineração

Os groenlandeses têm poder sobre o uso das matérias-primas do país desde 2009. A ilha, que tem a pesca como principal fonte de receita, possui duas minas em atividades e a produção é limitada.

O acesso aos recursos minerais da Groenlândia é considerado crucial pelos americanos, que assinaram um memorando de cooperação neste setor. Países europeus seguiram o mesmo caminho, com o próprio acordo, quatro anos depois.

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A União Europeia identificou 25 dos 35 minerais da lista oficial de matérias-primas essenciais, incluindo terras raras.

Localização estratégica

A Groenlândia está situada entre o Atlântico Norte e o Ártico, perto de países como os Estados Unidos, Canadá e Rússia.

Com uma localização estratégica, Trump acusa Copenhague de não garantir adequadamente a segurança do território. Ele ainda afirma que os EUA precisam do território porque, caso contrário, a Rússia ou a China o ocupariam.

Por outro lado, a Dinamarca, um dos membros-fundadores da Otan, rejeita as afirmações e lembra ter investido cerca de 90 bilhões de coroas (aproximadamente 75,2 bilhões de reais) para reforçar a presença militar no Ártico.

Desejo de Trump

Trump reiterou, no último domingo (11), que a anexação dos EUA com a Groenlândia aconteceria “de alguma forma ou outra”, afirmando que “precisa de um título de propriedade”. Na quarta (7), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse a parlamentares que o presidente deseja comprar a Groenlândia em vez de invadi-la.

Em dezembro do ano passado , o republicano disse que Washington precisa da Groenlândia para a segurança nacional. Ele ainda havia reconhecido que poderia ter que escolher entre preservar a integridade da aliança militar ou controlar o território dinamarquês.

A localização estratégica e os recursos da Groenlândia poderiam beneficiar os EUA. A região fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que pode ser crucial para o sistema de alerta de mísseis balísticos do país, por exemplo.

A expansão militar na ilha ártica pode incluir a instalação de radares para monitorar as águas entre a ilha, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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