Caso Epstein: Bill Clinton explica relação com agressor sexual no Congresso, em Nova York

Ex-presidente dos Estados Unidos é destaque nas últimas revelações dos arquivos sobre o agressor sexual; democratas pedem que Trump também seja convocado para depor

Ex presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton

Convocado para explicar os vínculos com o agressor sexual Jeffrey Epstein, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, começou a depor perante a Comissão de Supervisão da Câmara nesta sexta-feira (27).

O Congresso investiga pessoas ligadas a Epstein, especialmente após o Departamento de Justiça ter divulgado milhões de novos documentos sobre o caso. Clinton, de 79 anos, é um dos destaques nas últimas revelações nos arquivos. No entanto, o ex-presidente insiste que rompeu relações com o financista antes da condenação de Epstein por crimes sexuais em 2008.

Durante a audiência, democratas afirmaram que deveriam focar na relação do atual presidente dos EUA, Donald Trump, com Epstein. O nome do republicano também foi citado nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça.

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Na declaração inicial, Clinton insistiu que deixou de se relacionar com Epstein antes que os crimes viessem à tona. “Não tinha ideia dos crimes que Epstein estava cometendo”, disse o ex-presidente. “Nem mesmo com a perspectiva que o tempo dá, nunca vi nada que me fizesse duvidar”, acrescentou.

Os arquivos divulgados expõem que o ex-presidente voou no avião do agressor sexual diversas vezes, no início dos anos 2000, para trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton. No entanto, ele afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein no Caribe.

Fotografias que foram tiradas recentemente dos arquivos mostram Clinton recostado em uma banheira de hidromassagem, com parte da imagem coberta por uma tarja preta. Em outra, o ex-presidente aparece nadando junto a uma mulher de cabelos escuros que parece ser a cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell.

‘Estamos falando com o presidente errado’

Democratas que compõem a comissão destacaram que o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve ser convocado para depor.

“Sejamos realistas, hoje estamos falando com o presidente errado”, disse o legislador Suhas Subramanyam. “O presidente Trump é quem entorpece nossa investigação. O presidente Trump é quem deseja acabar com isto”, acrescentou.

Outros legisladores argumentam que a investigação tem sido usada para atacar os adversários políticos do republicano, em vez de fazer uma apuração correta.

Hillary Clinton também prestou depoimento

A ex-secretária de Estado e esposa de Bill Clinton, Hillary Clinton, também prestou depoimento em Chappaqua, perto de Nova York, onde residem.

Na declaração inicial perante a comissão, Hillary disse que sua intimação se baseava na suposição dela ter informações sobre atividades criminosas de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. “Deixe-me ser o mais clara possível. Eu não tenho essas informações”, afirmou ela.

Além disso, a ex-secretária de Estado insistiu que não viajou no avião de Epstein, nem visitou a ilha dele.

Inicialmente, os Clinton se recusaram a depor. Porém, concordaram a participar da audiência depois que congressistas republicanos ameaçaram considerá-los culpados de desacato ao Congresso.

As audiências acontecem em sigilo, com as portas fechadas, apesar do pedido dos Clinton para que fossem públicas e televisionadas.

A simples menção nos arquivos Epstein não constitui prova de cometimento de um crime.

*Com informações da AFP.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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