‘Belo Horizonte’ é citada ao menos dez vezes nos arquivos Epstein; veja o que foi dito sobre a cidade

Jean-Luc Brunel, apontado como um dos principais colaboradores no esquema de exploração sexual de menores, esteve na capital mineira em 2014

Capital mineira foi citada em série de documentos usados em investigação sobre mega esquema de exploração sexual

O termo “Belo Horizonte” aparece ao menos dez vezes nos chamados “arquivos Epstein”, conjunto de documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As menções à capital mineira estão em trocas de e-mails entre Jeffrey Epstein e o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, apontado como um de seus principais colaboradores no esquema de exploração sexual de menores.

Em uma das mensagens consultadas pela Itatiaia, com o assunto “Belo Horizonte”, Epstein pergunta: “Onde é isso?”. Jean-Luc responde de forma direta: “No meio do Brasil”. O agente de modelos ainda criticou a beleza da cidade e em outro trecho comentou: “Não é a viagem mais bonita”.

Segundo os documentos, Jean-Luc esteve em Belo Horizonte em 2014, um pouco antes da Copa do Mundo sediada pelo Brasil naquele ano. Em e-mail enviado em 27 de março daquele ano a Epstein, ele relata problemas logísticos durante a viagem ao Brasil:

“Eu estava em Belo Horizonte indo para São Paulo para uma reunião de 15 minutos no aeroporto, então o voo para Porto Alegre foi cancelado, pousei em um aeroporto diferente e, quando reconfirmei o hotel em PA [Porto Alegre] por 2 dias, o hotel queria que eu pagasse por 3. Cancelei tudo e voltei para NY. A Copa do Mundo vai ser caótica.”

A Copa do Mundo no Brasil começaria menos de 80 dias depois, em 12 de junho de 2014. Pelos e-mails divulgados, não é possível determinar quanto tempo Brunel permaneceu na capital mineira ou se esteve apenas em conexão no Aeroporto de Confins.

Confira troca de e-mails

Além das mensagens pessoais, o nome de Belo Horizonte também aparece em documentos de natureza empresarial incluídos no acervo divulgado pela Justiça dos Estados Unidos. Um relatório da agência Bloomberg, reproduzido nos arquivos, traz declaração do analista Paulo Henrique Amantea, da corretora H.H. Picchioni, “de Belo Horizonte”, ao comentar a venda de participação do investidor George Soros na Petrobras em 2015.

Outro trecho menciona a unidade do restaurante Fogo de Chão na Savassi, inaugurada em setembro de 2006, dentro de um prospecto empresarial anexado aos documentos.

O que são os “arquivos Epstein”?

As milhões de páginas divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos fazem parte de um conjunto de documentos relacionados às investigações sobre Jeffrey Epstein, financista americano acusado de comandar uma rede internacional de exploração sexual de meninas menores de idade. A publicação ocorreu após determinação legal nos Estados Unidos para dar publicidade ao material vinculado ao caso.

Epstein foi preso em julho de 2019 e morreu um mês depois, em agosto, dentro de uma cela em Nova York. A morte foi oficialmente classificada como suicídio, mas gerou ampla repercussão e questionamentos públicos.

Jean-Luc Brunel, citado nas mensagens sobre Belo Horizonte, foi denunciado na França por estupro de menores e apontado por vítimas como responsável por recrutar jovens para o círculo de Epstein. Ele foi encontrado morto em fevereiro de 2022, na prisão de La Santé, em Paris.

As citações a Belo Horizonte não indicam, até o momento, qualquer evidência de crimes cometidos na cidade. Os registros divulgados revelam apenas menções à capital mineira em comunicações e documentos que integravam o acervo apreendido nas investigações do caso.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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