A defesa do Google afirmou, nessa terça-feira (10), que sua subsidiária YouTube não buscou tornar intencionalmente a plataforma viciante para crianças, no segundo dia de um julgamento nos Estados Unidos que pode estabelecer um precedente para centenas de casos contra os gigantes da tecnologia.
O YouTube “não quer deixar as pessoas viciadas [em seu site] mais do que elas ficariam em bons livros ou em aprender coisas novas”, explicou o advogado Luis Li em suas alegações iniciais diante dos 12 membros do júri em um tribunal civil de Los Angeles.
Na segunda-feira, na abertura das audiências, o advogado da autora, Mark Lanier, acusou o Google e a Meta, controladora do Facebook e do Instagram, de “deixar os cérebros das crianças viciados”. “Fizeram isso de propósito”, afirmou.
A ação se concentra nas acusações de uma mulher de 20 anos, identificada como Kaley G.M., que sofreu graves danos mentais por ter se tornado dependente das redes sociais quando era criança: depressão, ansiedade e transtornos de imagem corporal.
O YouTube não tenta “entrar no seu cérebro e reconfigurá-lo”, ressaltou Li. Ele mencionou comunicações internas de executivos da empresa que, segundo ele, mostravam a intenção de privilegiar a qualidade dos vídeos em detrimento de sua viralidade.
Os conteúdos se tornam populares na plataforma porque os usuários os recomendam, acrescentou, não por ação da empresa.
“Ela não é viciada em YouTube. Vocês podem ouvi-la com suas próprias palavras (...) ela disse que não, o médico dela disse, o pai dela disse”, assegurou Li.
“Não é dependência de redes sociais quando não se trata de uma rede social e não há dependência”, insistiu, questionando a classificação frequentemente aplicada ao YouTube.
TikTok e Snapchat deveriam inicialmente responder pelas mesmas acusações, mas preferiram chegar a um acordo amigável com a suposta vítima, por valores confidenciais.
Diante de empresas protegidas pela lei americana quanto aos conteúdos de suas plataformas, os autores deste e outros processos contestam o modelo das redes sociais, isto é, o algoritmo e as funções de personalização que incentivam o consumo compulsivo de conteúdo.
Os autores acusam esse modelo de ser negligente e nocivo. Assim, retomam uma estratégia adotada com sucesso contra a indústria do tabaco nas décadas de 1990 e 2000.
O resultado das audiências pode estabelecer um precedente judicial em matéria de responsabilidade civil dos operadores de redes sociais.
Com informações de AFP