Valdir Barbosa | ‘Uber do Boi’, nova regra ambiental para transporte de animais

Grandes empresas já usam caminhões adequados para longas distâncias, mas e os pequenos caminhoneiros que não conseguem comprar um baú com ar-condicionado?

A empresa JBS transporta os animais e caminhões climatizados

Amigas e amigos do Agro!

Caminhão boiadeiro com ar-condicionado para transportar a boiada!

Também serão privilegiados os suínos, aves, ovinos, enfim o transporte de animais vai mudar.

O Ministério da Agricultura promete dar mais rigidez às novas regras que, em breve, deverão ser cumpridas pelo produtor rural. Seguro para proteger as lavouras de alimentos não tem, mas ar-refrigerado para o transporte de animais sim, vai ser obrigatório!

E as crianças e adolescentes que estudam em escolas rurais e que durante as águas passam dias e dias sem aulas, porque a maioria das vans que faz o transporte não consegue transitar nas estradas? Ninguém se lembrou de exigir ar-condicionado nesses veículos para os alunos durante o período da seca e da poeira!

O texto que deverá ser aprovado para entrar em vigor esse ano, dá inteira responsabilidade ao produtor no manejo adequado dos animais, água e alimento dentro e fora da fazenda, incluindo o transporte.

Para o transporte de pequenos animais será exigido ambiente climatizado a partir de 25 graus centígrados. Para animais de grande porte, acima de 30 graus.

O produtor, ao contrário do que muitos pensam, trata muito bem dos animais, porque ele precisa ter um produto final com bom preço no mercado. E, hoje, a exigência dos frigoríficos é muito grande.

Num país com uma diversidade social e cultural e climática enormes, as longas distâncias com estradas de terra praticamente intransitáveis, falta de ferrovias, chega-se a uma realidade absurda como essa.

E depois que houver a conversão dos caminhões que vão carregar baús com ar-condicionado, frete mais caro, a conta vai ser dividida entre nós consumidores.

E ontem, o boi subiu de novo!

Itatiaia Agro, Valdir Barbosa.

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Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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